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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 jan

Álvaro Guimarães queixa-se da indiferença de Caiado com a sua candidatura a presidente da Assembleia e praticamente entrega os pontos ao avisar que aceitará o resultado sem ressentimentos

O deputado Álvaro Guimarães, nome lançado para a presidência da Assembleia pelo próprio governador Ronaldo Caiado, está se queixando ao seus colegas sobre o que define como “indiferença” do Palácio das Esmeraldas com a sua candidatura.

 

Ele começou como favorito, mostrou uma certa inaptidão para articular a sua postulação, cometeu erros graves como deixar vazar que estava prometendo diretorias a ex-deputados tucanos em troca dos votos da bancada do PSDB e acabou atropelado por um movimento de renovação que ganhou força entre os 41 parlamentares estaduais com a proposta de “zerar a Assembleia”, ou seja, libertar o Poder da influência do ex-governador Marconi Perillo e ex-presidentes da Casa aliados, que ainda detêm o controle e se beneficiam de um grande número de cargos comissionados e contratos de serviços.

 

Em um surpreendente ato de inexperiência política, na semana passada, já entrando na delicada reta final das articulações pela presidência, o próprio Caiado foi de surpresa à Assembleia, onde se reuniu com os deputados para debater a crise fiscal do Estado e acabou tratando vários deles de forma que, unanimemente, os membros do Poder consideraram desrespeitosa. Isso praticamente acabou com as chances, já escassas, de vitória de Álvaro Guimarães, disseminando entre a maioria a convicção de que a definição do novo titular do Legislativo deveria adotar um rumo de independência e de afirmação perante o novo governo.

 

Pessoalmente, de resto, Caiado não se empenhou até agora para conseguir votos para Álvaro Guimarães, apesar de ter escalado prepostos como Ernesto Roller, secretário de Governo; Lincoln Tejota, vice-governador; e Samuel Belchior, espécie de articulador informal do Palácio, para ajudar o candidato oficial. Infelizmente, sem nenhum efeito por enquanto, porque, na Assembleia, ninguém gosta e muitos se sentem diminuídos ao conversar com atravessadores, fazendo questão de resolver com o próprio dono do poder.