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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 jan

Aposta no Regime de Recuperação Fiscal foi erro tremendo de Caiado, atrasou o início do seu governo e ainda mostrou que o prestígio de Goiás junto ao governo Bolsonaro é próximo de zero

Tudo por tudo, foi um erro tremendo a aposta que o governador Ronaldo Caiado fez ao colocar todas as suas fichas na conquista do Regime de Recuperação Fiscal, atrasando o início do seu governo e adotando decisões equivocadas como a recusa em quitar o restante da folha de dezembro, em uma tentativa de alcançar os critérios exigidos pelo programa através do acréscimo desse valor aos números consolidados da dívida estadual em 31 de dezembro de 2019.

 

Não deu certo. Embora possa até negar, Caiado confiou na possível força do seu nome junto ao ministro da Economia Paulo Guedes, que o recebeu com festa logo depois da eleição e sinalizou com o maná dos céus do RRF, inclusive passando informações deturpadas, como a notícia de que Goiás cairia para o nível D no ranking da Secretaria do Tesouro Nacional (estava no nível C e assim continua, não houve desclassificação nenhuma). Empossado, Paulo Guedes deu de costas e mudou a conversa com Caiado: nesta segunda-feira, 28 de janeiro, quando o seu Ministério anunciou oficialmente que as regras do RRF não seriam flexibilizadas para acomodar qualquer Estado. Outro ponto que o governador goiano avaliou mal foi quanto ao seu prestígio com o presidente Jair Bolsonaro – esquecendo-se de que só o apoiou no 2º turno, com a fatura já estava definida a seu favor, mas não quando havia riscos, isto é, no 1º turno (neste, Caiado ficou neutro). Por ora, Bolsonaro comporta-se em relação a Goiás como se Caiado não existisse.

 

Mas, na espera do impossível, ou seja, do Regime de Recuperação Fiscal, Caiado atrasou os primeiros passos da sua gestão, não apresentou até hoje um plano de austeridade para consolidar o reequilíbrio financeiro do Estado e, muito pior, adotou decisões contraditórias, sinalizando a necessidade de fazer economia, por um lado, mas abrindo as burras do governo por outro. Entre a economia e a gastança, acabou ficando com a segunda, mantendo programas sociais (como o Bolsa Universitária) sem uma avaliação a fundo, distribuindo recursos a prefeitos (prometeu a Adib Elias que vai pagar a metade da obra do arco viário de Catalão, estimada em R$ 11 milhões) e agraciando o funcionalismo com benesses que vão acrescer a folha de pessoal, por mês, em mais de R$ 60 milhões, não se descartando a hipótese de um aumento de gastos, nessa área, superior a R$ 1 bilhão por ano, só com o que foi presenteado aos servidores até agora – e isso em meio a um discurso de calamidade financeira repetido dia e noite.

 

É um governo difícil de compreender, o de Caiado.