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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Caiado reage mal ao movimento de independência da Assembleia, vara a madrugada em reuniões com deputados no Palácio e avisa que não aceita outro presidente que não Álvaro Guimarães

O processo de escolha do novo presidente da Assembleia, que entrou na reta final (a eleição em plenário será às 15 horas da próxima sexta, 1º de fevereiro), gerou a primeira crise política de envergadura do governo Ronaldo Caiado: ao movimento de independência que já congrega  em torno de 30 parlamentares, dispostos colocar no comando do Legislativo um nome que não represente submissão ao Executivo, Caiado reagiu convidando deputados para reuniões que vararam a madrugada no Palácio das Esmeraldas – quando avisou que se chama Ronaldo Ramos Caiado e que não vai abrir mão da eleição do seu candidato a presidente, Álvaro Guimarães.

 

O problema é que o posicionamento do governador veio tarde demais. Pelo menos 27 deputados já selaram um pacto para a consagração de Lissauer Vieira, do PSB, como o próximo titular do Legislativo, com o compromisso de “zerar” a Assembleia, afastar a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos seus aliados ex-presidentes (que até hoje detêm o controle de diretorias, contratos e nomeação de funcionários comissionados) e redistribuir essas benesses entre os próprios integrantes do Poder. Não é pouca coisa e pode representar, para cada um, incluindo os seus salários e vantagens pessoais, uma margem de manobra em torno de R$ 250 mil reais por mês, muito superior ao padrão que sempre vigorou.

 

O tom autoritário de Caiado e a sequência de erros cometidos na articulação – em especial o distanciamento em relação aos parlamentares desde que a eleição foi consumada e a desastrada visita que fez à Assembleia, quando tratou alguns deputados de forma considerada “desrespeitosa” – acabaram inviabilizando a candidatura de Álvaro Guimarães (que, pessoalmente, também mostrou inaptidão para a articulação de bastidores). A isso, cabe acrescentar como fator negativo o rompante de quase fúria diante do movimento de independência da Assembleia simbolizado pela candidatura de Lissauer Vieira.