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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Ernesto Roller, Lincoln Tejota e Samuel Belchior – os articuladores de Caiado na Assembleia que só fizeram piorar as coisas e sem querer ajudaram a construir a candidatura independente de Lissauer Vieira

Deputado estadual, para o governador Ronaldo Caiado, era um tipo de personagem da política que, até a noite desta terça-feira, simplesmente não existia. Desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, Caiado nunca ligou a mínima para qualquer um dos 41 eleitos para a Assembleia, nunca telefonou ou atendeu telefonemas deles, não cumprimentou nenhum pela vitória nas urnas, jamais cogitou pedir ou ouvir sugestões de nomes para o governo e menos ainda de políticas públicas. E assim , coerentemente, “nomeou” Álvaro Guimarães como próximo presidente da Assembleia, cabendo aos colegas do Poder elegê-lo de cabeça baixa, cumprindo os desígnios superiores do Palácio das Esmeraldas.

 

E isso, leitora e leitor, sendo Caiado um político de formação 100% parlamentar, que nunca exerceu cargo algum no Executivo e pautou sua carreira de 30 anos por uma sucessão de mandatos no Congresso Nacional. Deveria, como poucos, conhecer a a cabeça e o coração dos deputados estaduais goianos que foram eleitos com ele, tratá-los com respeito e dignidade todos e com carinho especial os da sua base e, pronto, estariam estabelecidos os pilares para a sua governabilidade, a partir inclusive da eleição de um nome de confiança para a presidência da Assembleia.

 

Como Caiado nunca quis saber de nada do que acontece no velho prédio da Alameda dos Buritis, ele imperialmente escolheu Álvaro Guimarães e deixou o barco correr. Há duas semanas, com o reconhecimento das primeiras dificuldades, escalou três prepostos para falar em seu nome com os parlamentares: Ernesto Roller, secretário de Governo; Lincoln Tejota, vice-governador; e Samuel Belchior, que não tem cargo, mas é uma espécie de articulador informal do caiadismo. Os três receberam a missão de calafetar as frestas e consolidar a eleição do candidato do peito do governador para suceder a Zé Vitti.

 

E o que aconteceu? Os três protagonizaram uma trapalhada histórica. De cara, tiveram que começar pedindo desculpas pelas grosserias que o governador fez com três deputados, durante um debate sobre a situação financeira do Estado. Depois, não tinham o que dizer sobre as expectativas em relação a participação no governo. “Você vota no Álvaro e depois a gente vê”, foi a mensagem. Só que na Assembleia tem de tudo, mas não tem bobo. Bobo não se elege deputado. Roller e Tejotinha estão com a vida feita, com cargos e farta nomeação inclusive de parentes. Belchior, ingenuamente, por ter ainda a cabeça do deputado que foi, foi conversando e se solidarizando com quem se sentia ignorado e esquecido por Caiado. Os três articuladores, assim, acabaram colaborando para produzir um resultado exatamente ao contrário do que foi encomendado… ajudando a consagrar Lissauer Vieira.

 

Essa eleição para presidente da Assembleia vai ficar na história.