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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Janeiro mais violento dos últimos 2 anos deixa a área de segurança do novo governo sem reação e coloca para Rodnei Miranda o desafio de mostrar o que veio fazer em Goiás

A política de segurança pública dos Estados tem dependência direta da liderança e presença de quem ocupa o comando do setor, exemplos que podem vistos em José Mariano Beltrame, que fez um trabalho revolucionário no conturbado Rio de Janeiro, ou, em Goiás, na passagem bem sucedida do procurador Demóstenes Torres pela Secretaria de Segurança, melhor período da pasta nas últimas décadas e tanto assim que de lá Demóstenes saiu para ganhar em 1º lugar nada mais nada menos que uma eleição para o Senado.

 

Pode-se dizer que o secretário de Segurança e sua imagem, decorrente de quem é e de tudo o que faz, é 50% (ou grande parte) das possibilidades de êxito quanto ao esforço de qualquer governo para levar paz e tranquilidade para a população. É a ação consistente do titular da pasta que transmite a afamada e tão buscada sensação de segurança para a sociedade. Ele é um símbolo do poder do Estado para reprimir a bandidagem. No Espírito Santo, Rodnei Miranda, o delegado federal aposentado que Ronaldo Caiado trouxe para cuidar da polícia goiana, também foi secretário de Segurançla (por duas vezes) e se saiu tão bem que, na sequência, tal como Demóstenes Torres, também colheu um sensacional trunfo eleitoral, ganhando um mandato na Assembleia Legislativa com 69 mil votos, na época a maior votação da história capixaba.

 

Em tese, é um ótims antecedente. Mas… sempre tem um mas e Rodnei Miranda, que no período de transição entre a eleição e a posse de Caiado foi o único secretário anunciado a gerar resultados, antecipando indicações de nomes na sua área e mesmo indicações de rumo a seguir, encontra-se encalacrado. Este janeiro, que está se encerrando, acabou se transformando no mês mais violento dos últimos dois anos em Goiânia. Quase 40 homicídios, com novidades poucas vezes vistas, como decapitações, vilipêndio de cadáver e chacina de jovens.

 

É preciso dar respostas. A que Rodnei Miranda ofereceu, depois de dois dias em silêncio, mas pressionado pelos repórteres de O Popular,  é perto de caricata: houve, sim, “leve alta” no número de homicídios, porém nos últimos dias do mês apurou-se uma tendência de queda. É sério, leitora e leitor. Foi isso que o secretário de Segurança mandou dizer a O Popular sobre a onda de assassinatos em janeiro.

 

Ninguém pode culpar diretamente a política de segurança de qualquer governo pela ocorrência de crimes bárbaros como os que aconteceram nas últimas semanas em Goiânia. Mas cabe uma avaliação sobre a reação das autoridades. O que foi e está sendo feito para combater essas ocorrências lamentáveis? Por que os titulares das delegacias e setores policiais envolvidos não se manifestam? Por que apresentam desculpas esfarrapadas em vez de ação e determinação para sinalizar que nenhum ato de violência será tolerado? É o que se espera do novo secretário e do novo governo: que janeiro e suas vítimas não tenham sido em vão.