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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Presidência da Assembleia está perdida para Caiado e não adianta trocar Álvaro Guimarães por outro nome. Deputados do movimento pela independência vão se fechar em um hotel até a hora da eleição, na sexta-feira

São favas contadas: a presidência da Assembleia está perdida para o governador Ronaldo Caiado, que será obrigado a assistir sem ter como reagir à eleição do deputado Lissauer Vieira, do PSB, como representante do grupo de 24 deputados que defende a independência do Poder frente ao Executivo e quer também promover a limpeza da Casa, isto é, afastar a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos ex-presidentes seus aliados (que até hoje controlam diretorias, contratos e a nomeação de comissionados).

 

Caiado cometeu todos os erros possíveis, dos mais grotescos até os puramente infantis, na condução do processo de escolha do novo comandante do Legislativo – peça fundamental para a governabilidade de qualquer um que esteja aboletado na cadeira principal do Palácio das Esmeraldas. Desde a sua eleição, em 7 de outubro, passou a ignorar solenemente os deputados estaduais, nunca chamou nenhum deles para conversar sobre o governo, não pediu nem recebeu indicações para nomeações, não deu sequer um telefonema de congratulações pela vitória no pleito. Para piorar, visitou sem necessidade a Assembleia, há poucos dias, onde, em um debate para explicar a situação de calamidade financeira do Estado, acabou desrespeitando três parlamentares – Talles Barreto e Hélio de Sousa, do PSDB, e Lucas Calil, do PSD. O comportamento absolutamente descortês do governador sinalizou para o tipo de tratamento que ele poderia dar a todos os integrantes do Poder, caso o seu candidato, Álvaro Guimarães, fosse entronizado como o novo presidente e passasse a simbolizar a submissão dos deputados a Caiado.

 

Como o que está ruim sempre pode piorar, deputados foram chamados na noite e madrugada desta quarta-feira ao Palácio para ouvir reprimendas de Caiado e afirmações estapafúrdias, como a de que é seu direito “nomear” quem conduz o Parlamento goiano, além de ameaças do tipo “se estão me testando, eu compro a briga e vou até o fim, quem não estiver comigo, é meu inimigo”.

 

Não funcionou e só serviu para reforçar ainda mais a unidade do grupo de 24 deputados que estão com Lissauer Vieira e que, a partir de hoje, deve se internar em um hotel de Goiânia, provavelmente o Castro’s, na avenida República do Líbano(ou um hotel fazenda em Anápolis), para se livrar de pressões de último hora e consolidar o pacto de poder do grupo – que acredita já ter alcançado 33 votos e acha até que pode chegar às 15 horas do dia 1º de fevereiro, sexta-feira, com a unanimidade do plenário.