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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 fev

Eleição do novo presidente da Assembleia deixou sequelas que só serão superadas se Caiado se dispuser a mudar o tratamento que dá aos deputados e abrir espaços no governo – coisa que ele não quer fazer

A eleição de Lissauer Vieira para presidente da Assembleia terminou com ele próprio e seus apoiadores desfiando o discurso de que não há intenção de criar problemas para o governador Ronaldo Caiado e que o Legislativo está firme na intenção de apoiar tudo o que for necessário para desenvolver o Estado e beneficiar os goianos. Embora Caiado, pessoalmente, não tenha dito um “a” sobre o episódio, além de apresentar cumprimentos formais a Lissauer Vieira através das redes sociais, portavozes do Palácio das Esmeraldas apressaram-se a anunciar que está tudo superado e que agora é trabalhar pela convergência de interesses e solidificar um bom relacionamento entre ambos os Poderes.

 

Palavras bonitas e diplomáticas, mas só isso. Lissauer Vieira foi imposto goela abaixo de Caiado pela maioria esmagadora dos deputados – 37 – unidos em torno da bandeira da independência da Assembleia e da distribuição das suas benesses entre os seus próprios integrantes, além de representar uma resposta duríssima para o desprezo que o novo governador dedicou e dedica a parlamentares, quaisquer que sejam, inclusive aqueles dispostos a perfilar na sua base de apoio. Caiado não gostou e avisou de viva voz – o que pode ser atestado por deputados como Iso Moreira, Dr. Antônio, Lucas Calil ou Diego Sorgato – que tem um sobrenome conhecido em Goiás por não levar desaforo para casa.

 

Ficaram sequelas, portanto. E é normal. Ao trazer a maior parte do seu secretariado de fora, o novo governador, como registrou o jornal O Popular, sinalizou “desprezo” pela classe política do Estado. E neste sábado, mesmo após o que aconteceu na Assembleia, o mesmo O Popular anota que o núcleo central do seu governo defende uma abertura para os deputados na estrutura administrativa, mas… Caiado é contra.

 

Round 1: Caiado ganha a eleição e monta o seu governo excluindo os parlamentares que ganharam com ele. Round 2: esses parlamentares dão o troco e impõem uma derrota de repercussão nacional a Caiado, elegendo um presidente da Assembleia desconectado com o seu comando. Round 3: é o que começa agora, com os competidores bem postados face a face. Vamos ver no que vai dar.