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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 fev

Reprimenda de Lissauer Vieira a Caiado (““Ficar chorando, e reclamando e remoendo o passado não vai resolver”) pressupõe que crimes graves devem ser esquecidos e por isso é inaceitável

O governador Ronaldo Caiado não deveria se preocupar com o que foi feito de errado e mesmo de criminoso pelos governos que o antecederam, passando uma borracha nesse passado sujo, abaixando a cabeça e apenas se limitando a fazer o que for possível para resolver e superar a enxurrada de problemas que recebeu como herança.

 

Essa é a opinião do novo presidente da Assembleia, Lissauer Vieira, repetida em quase uma dezena de entrevistas nos últimos dias(acima, na última, à rádio Bandeirantes), quando aproveita para passar mensagens, conselhos e reprimendas para o governador – a principal delas a frase “Ficar chorando, e reclamando e remoendo o passado não vai resolver”, com a qual Lissauer condena o esforço de Caiado no sentido de esclarecer fatos graves que ocorreram nos últimos anos dentro da administração estadual, envolvendo inclusive enormes somas em dinheiro, e buscar a responsabilização de quem os praticou.

 

Em outras palavras, o que se está propondo é que Caiado varra o lixo para baixo do tapete e esqueça a lista das irregularidades que transformaram Goiás em um Estado em situação de calamidade financeira. Se fizesse isso, o governador simplesmente estaria dividindo a culpa pelas barbaridades com que se defrontou ao assumir o comando administrativo do Estado. Seria conivente. Cúmplice. Estaria escondendo até mesmo delitos. E isso seria inaceitável, pior ainda quando sugerido por um presidente de Poder, no caso o Legislativo. Só seria pior se fosse o presidente do Tribunal de Justiça.

 

Caiado, a propósito, tem sido até moderado diante das falcatruas e outras anomalias que está localizando a cada dia como governador. Chora pouco, reclama pouco e remói o passado pouco. Ela já declarou, por exemplo, que não vai denunciar ninguém à Justiça porque estaria invadindo a competência das autoridades policiais ou do Ministério Público. Mas é o que deveria fazer, como autoridade encarregada de zelar pela aplicação dos recursos do povo goiano. Entre outras coisas, é para isso que foi eleito.