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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 fev

Enquanto persegue quimeras como uma milagrosa ajuda do governo federal ou uma decisão do STF para reduzir salários do funcionalismo, Caiado perde tempo precioso para fazer logo um ajuste fiscal

O tempo é uma commodity valiosa que o governador Ronaldo Caiado, com uma carreira política condicionada pela lentidão dos processos legislativos, parece não saber manejar, agora que pela primeira vez na sua vida foi eleito e assumiu um cargo executivo.

 

Já são quase um mês e meio de mandato, sem falar nos três meses desperdiçados em 2018, a partir da sua eleição em 7 de outubro – e nem sequer a equipe de trabalho do governo de Goiás está completa. Longe disso, aliás. Para piorar as coisas, a maioria do secretariado veio de fora, nunca havia pisado antes em terras goianas e gasta os dias e as semanas se desdobrando para conhecer as suas áreas de trabalho e a realidade do Estado. No início de janeiro, o Palácio das Esmeraldas pediu a todos sugestões para reduzir em 20% as despesas das suas pastas e também uma nova configuração para efeito da segunda parte da reforma administrativa, porém muitos ainda não conseguiram entregar a encomenda. Em consequência, as decisões finais foram adiadas para meados de março, quando um projeto deverá ser remetido à Assembleia – e podem apostar, leitora e leitor, que esse prazo não será cumprido.

 

O maior engasgo do novo governo, no entanto, não é esse – e é muito pior. Caiado e estrelas como a secretária de Economia Cristiane Schmidt sonham acordados com soluções miraculosas para a crise fiscal do Estado, adiando a adoção de mediadas que, sendo de competência local, poderiam já ter sido adotadas, como a extinção de órgãos, estudos para concessões e privatizações, suspensão de aumentos salariais (ao contrário, reajustes foram concedidos em janeiro), leilões de pagamento e o ataque à grande ferida que mina a saúde financeira de Goiás: a irresponsável e exagerada política de incentivos fiscais. Tudo isso é para ontem, mas o novo governo prefere aguardar o que nunca virá, ou seja, uma mudança na rígida posição de Brasília contrária à flexibilização das exigências de enquadramento dos Estados no programa de recuperação fiscal ou uma decisão do Supremo Tribunal Federal autorizando a redução dos salários do funcionalismo, o que nunca vai acontecer porque atingiria um dos dogmas jurídicos mais sólidos do país – o direito adquirido.

 

O tempo perdido por Caiado vai custar caro para os goianos. Na prática, ele completa daqui a pouco cinco meses de “mandato”, considerando o prazo decorrido desde que foi eleito e que poderia, a partir o dia seguinte ao do resultado das urnas, para adiantar decisões, montar a equipe, definir propostas e acelerar a busca das saías para a calamidade financeira de Goiás. Em vez de seguir por esse caminho, o novo governador prefere perseguir quimeras.