Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 fev

Sem acertar o tom e sem saber bem o que dizer ou como criticar, oposição se fixa em pequenos gestos de Caiado e até investe contra a sua família para tentar desconstruir os passos iniciais do novo governo

Muito embora a derrota na última eleição tenha sido mais do que anunciada e esperada, o ex-governador Marconi Perillo e seus aliados mais próximos foram de certa forma apanhados desprevenidos: desde o anúncio do resultado das urnas até agora ainda não se adequaram à nova realidade política de Goiás e ao inesperado (para eles) papel de oposicionistas depois de 20 anos de poder absoluto.

 

No geral, os tucanos e seus associados mostram-se perdidos, sem conseguir afinar a viola para oferecer aos goianos uma crítica consequente ao governo Ronaldo Caiado. Não sabem exatamente o tom nem muito menos o que devem dizer ou como avaliar a nova administração, ainda aparentando algum atordoamento  pela situação bicuda em que se viram investidos depois de despejados do Palácio das Esmeraldas – obrigados ao sofrimento de fazer política sem as vantagens das verbas, cargos e prerrogativas decorrentes do controle de um governo.

 

Ainda à procura do jeito certo de agir dentro da realidade que passou a vigorar em Goiás, o que fazem Marconi e seus seguidores? Tentam a todo custo impor desgastes a Caiado, vendendo interpretações que distorcem pequenos gestos do governador ou envolvem atitudes corriqueiras da sua família, o que tem também um quê de ressentimento na sua finalidade de gerar irritações e aborrecimentos pessoais. Uma mímica de coraçãozinho e um beijo lançado a manifestantes são transformados em deboche aos professores. Confraternização familiar no Palácio das Esmeraldas seria um “baile funk”. Imagens banais de parentes passeando no exterior são classificadas como exibicionismo. Já sobre medidas de moralização como a reorganização do Vapt Vupt, que, viu-se agora, pagava alugueis milionários a locatários privilegiados, ninguém diz uma palavra. Denunciar o gravíssimo descalabro financeiro em que o governo foi deixado é perda de tempo, choro ou somente um lamentável remoer do passado. E preparar medidas de contenção de despesas, inclusive na área do funcionalismo, muito necessárias, mas por enquanto só no plano das intenções, é perseguição.

 

É um erro infantil acreditar que, Caiado perdendo aprovação popular, a mesma que deu a ele uma vitória estrondosa em 7 de outubro do ano passado, a oposição subirá automaticamente na mesma proporção na aceitação dos goianos . Isso jamais vai acontecer sem uma requalificação da prática política e do discursos dos tucanos e seus agregados, mostrando um pouco de autocrítica e exibindo capacidade de aprofundamento no debate sobre as soluções de que o Estado necessita para se desenvolver e distribuir os frutos aos seus cidadãos. Alguma categoria, enfim. Falar mal da cabeleira ou das bermudas do novo governador não vai levar a lugar nenhum.