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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 fev

Inábil com as palavras e sem traquejo político, secretária Cristiane Schmidt chama decisão da Justiça de Goiás de “canetada” e diz abertamente que não tem a menor intenção de obedecer aos juízes

Economista com ampla titulação acadêmica, a secretaria da  Economia Cristiane Schmidt é o que se chama de “barriga verde” na política, isto é, alguém que está trafegando no meio pela primeira vez e, portanto, mostrando uma preocupante falta de jeito, piorado ainda mais pelas palavras e expressões duras que usa em suas declarações à imprensa.

 

A pasta que ela ocupa no governo Ronaldo Caiado é técnica, mas não dispensa algum jogo de cintura. E ela não mostra nenhum, principalmente quando abre a boca – mesmo tendo combinado com os colegas de equipe que seria mais comedida e que deixaria as questões mais sensíveis para o experimentado secretário de Governo Ernesto Roller, que tem as doses certas de maquiavelismo para temperar e explicar as posições da nova administração.

 

Nesta semana, Cristiane Schmidt avaliou, com alguma impetuosidade, a liminar da Justiça estadual que determinou o bloqueio das contas do Estado até o valor de pouco mais de R$ 700 milhões, necessário para o pagamento do que resta da folha do mês de dezembro. Para a doutora, foi uma “canetada” dos juízes e também uma “decisão inócua”, que ela não pretende cumprir porque não há dinheiro disponível para tanto. Goiás, acrescentou, “está na lama” e daí só sairá pelo caminho da austeridade, o que presume que essa não é a opção dos magistrados que estão despachando liminares determinando a quitação dos atrasados.

 

Além da falta de cortesia com o Poder Judiciário (juízes não dão “canetadas”, mas atuam dentro das suas esferas de competência), a secretária coloca-se à beira do abismo: a liminar sobre os mais de R$ 700 milhões diz que esse dinheiro deve ser genericamente  capturado dentro do caixa do Estado, sem maiores detalhes, ou seja: quando a ordem de bloqueio passar pelo sistema online que a Justiça tem com os bancos, qualquer valor encontrado nas contas do governo de Goiás será imediatamente bloqueado, independentemente da sua origem ou destinação. Podem, inclusive, ser os recursos que estão sendo acumulados para pagar fevereiro. Haverá muita confusão. E repercussão nacional.

 

Em vez de resolver logo a pendência dos salários de dezembro, Caiado e a sua secretária Cristiane Schmidt brincam com fogo.