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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 mar

Expulsão de Paulo do Vale, Adib Elias e Fausto Mariano: vingança que apequenou os Vilelas e impôs ao MDB uma atitude antidemocrática que o partido nunca teve em Goiás

O MDB, que já foi PMDB depois de ter sido MDB desde quatro décadas atrás, é um partido que cometeu todos os erros possíveis em Goiás, menos um: perseguir, sem justificativa, seus membros, tornando-os objetos de vingança pessoal. Mas essa lacuna acaba de ser preenchida. É como deve ser classificada a expulsão dos prefeitos Paulo do Vale (Rio Verde), Adib Elias (Catalão) e Fausto Mariano (Turvânia), em um processo que motivado pela insatisfação do ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela e do seu filho Daniel(não se engane com os sorrisos amigáveis na foto acima, leitor, a dupla é dura e impiedosa) com o apoio que os três deram ao governador Ronaldo Caiado.

 

Venhamos e convenhamos: apoiar a candidatura de Daniel Vilela ao governo, quando havia uma alternativa segura para derrotar o ex-governador Marconi Perillo e seu grupo que quando veio se mostrou histórica, seria, como foi, suicídio político. O jovem emedebista não tinha nenhum trunfo na mão e só se viabilizou na última hora mediante a intervenção das cúpulas nacionais do PP e do PRB para que as seções estaduais dos dois partidos o apoiassem. Por artificial, a composição não rendeu votos e Daniel teve nas urnas o desempenho mais fraco da história do MDB/PMDB/MDB em Goiás, além de reduzir a sigla a apenas três deputados estaduais e nenhum federal. O 2º lugar que obteve não sugere nenhuma façanha, pelo número reduzido de votos e por ter ultrapassado um candidato – Zé Eliton – abaixo da crítica.

 

É o que, pragmaticamente, Adib Elias resumiu com o seu desabafo: “Estou cansado de perder”. Caso tivessem aceitado a composição com Caiado, é provável que os Vilelas hoje esbanjariam força e poder à frente de um partido que seria quase que integralmente responsável pela vitória eleitoral da oposição frente ao Tempo Novo. Por razões que provavelmente remontam ao ressentimento diante de antigas agressões que foram dirigidas a Maguito, eles não o quiseram. Preferiram o rancor. E arrastaram o MDB para a sua pior derrota eleitoral de todos os tempos em Goiás.

 

Punir opiniões divergentes é sempre condenável. Em qualquer democracia e em ditaduras também. Deixa um gosto ruim. De resto, o MDB comandado pelos Vilelas está repleto de caiadistas. Expulsar a todos configuraria um verdadeiro genocídio político. Tudo isso reforça ainda mais a inconsistência e a iniquidade da decisão tirânica que atingiu os três prefeitos. Suja o currículo de Maguito. E emporcalha o de Daniel.

 

Com a ajuda da dissidência emedebista, Caiado foi eleito – e é quase certeza que o seria até sem ela, porém não se pode descartar a sua importância – e deixou para trás um regime que foi bom para Goiás, mas depois se tornou deletério com e decomposição dos seus últimos anos. Não tem sentido que alguém seja castigado por participar dessa transformação do maior significado para a história do Estado. Quem tentou atrapalhá-la – os Vilelas – é que deveria ser penalizado.