Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 mar

Foto de Caiado com o primo Ênio, vistoriando estradas danificadas pela chuva, dá um gosto ruim na boca ao sugerir que os problemas do Estado e da sua população estão entregues… a uma família

Mal passou o prolongado feriado de carnaval, o governador Ronaldo Caiado abalou-se para o oeste goiano, para examinar de perto rodovias estaduais danificadas pelas chuvas, levando, a tiracolo, o seu parente Ênio Caiado, designado presidente da antiga Agetop e agora Goinfra, repartição do governo de Goiás encarregada das obras e estradas e disparadamente maior gastadora de recursos públicos do Estado.

 

Vejam a foto, leitora e leitor. Aparecem o governador e, muito à vontade, de camiseta preta e tênis de cor extravagante, o primo Ênio. Um gosto ruim vem à boca porque a prática de empregar familiares, em qualquer governo, sempre soa mal, ainda mais em um comandado por alguém que representa a ética e a mudança do comportamento tradicional da classe política, tido como nocivo para a sociedade. Ainda que, em alguns casos, seja verdade que determinados parentes também são competentes, é difícil acreditar que foram escolhidos pela excelência do currículo e não em razão do sangue que corre em suas veias. Na dúvida, melhor não e pior ainda se baseando em interpretações criativas das leis que proíbem o nepotismo.

 

Há no novo governo uma plêiade de Caiados, que Caiado nomeou sabendo do desgaste, porém com certeza provavelmente confiando na gordura que acumulou com a espetacular vitória que conquistou nas urnas para superar a erosão de prestígio que inevitavelmente acompanha esse tipo de decisão. O primo Ênio é só um deles. Na própria ex-Agetop, hoje Goinfra, está instalado outro primo, Aderbal, em uma das diretorias. Venhamos e convenhamos, leitora e leitor: não é exatamente o que se esperava de um governador com o caráter a índole do Ronaldo… Caiado, que carrega com o seu sobrenome o peso de uma tradição muito voltada para a preservação dos interesses de uma família – e isso não pode ser negado, pois decorre de uma visão consolidada pela história.