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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 abr

Eleito para zerar e moralizar a Assembleia, Lissauer Vieira mantém as vantagens do grupo de Marconi Perillo, aumenta os gastos mensais e quer torrar R$ 120 milhões em nova e desnecessária sede

A expectativa de uma mudança das práticas que ajudaram a construir a má imagem da Assembleia Legislativa nos últimos anos, que embalou a eleição de Lissauer Vieira para a presidência, frustrou-se completamente.

 

Quem é que não se lembra dos dias épicos em que os deputados estaduais enfrentaram o governador Ronaldo Caiado, derrotaram o seu candidato in pectore Álvaro Dias e elegeram um presidente inesperado, que representaria a afirmação da independência do Poder Legislativo e o compromisso de fazer uma limpeza – eliminando as vantagens do grupo político do ex-governador Marconi Perillo e se propondo a uma moralização administrativa, reduzindo os milhares de cargos comissionados que servem aos parlamentares e as quase 20 diretorias que nunca tiveram, em sua maioria, outra finalidade que não agasalhar apaniguados? Ou, minimamente, com o objetivo de reconciliar a Assembleia com a opinião pública estadual, depois de anos e anos de divórcio?

 

Pois tudo isso deu em nada. Lissauer Vieira como presidente, provou que é um ótimo e provinciano vereador de Rio Verde. Sua principal realização, até agora, é a transferência da capital do Estado para a maior cidade do Sudoeste goiano, com direito a um vendaval de despesas para custear uma praxe atrasada e detraquê – hoje, perdeu o sentido até mesmo a inútil e sem sentido mudança temporária da capital para a Cidade de Goiás, que ocorre todos os anos no final de julho como uma espécie de manifestação de remorso histórico pela construção de Goiânia.

 

Para piorar, o novo presidente da Assembleia manteve intactos os privilégios do grupo político de Marconi Perillo. Ex-deputados tucanos foram nomeados para diretorias que, na verdade, deveriam ter sido extintas, dada a falta de justificativa para a sua existência. A transparência, já crítica antes, desceu a níveis ainda mais baixos. Com três meses de gestão, não há dados no portal específico no site da Alego. Não satisfeito com o número excessivo de cargos, Lissauer Vieira está implantando uma reforma administrativa, para aumentar ainda o absurdo contingente de servidores comissionados listado na folha de pagamento. E ainda tem a cereja do bolo, representada pelos R$ 120 milhões que serão torrados, nos próximos anos, na construção de uma nova sede para o Legislativo, no Park Lozandes, não se sabe para quê nem por quê – anunciados em uma cerimônia para a qual foi convidado o governador Ronaldo Caiado, que, prudentemente, não apareceu.

 

Lissauer Vieira é um presidente fraco, sem agenda institucional de peso, que gasta o tempo com compromissos miúdos e sem importância. Não tem opinião sobre os principais desafios que Goiás enfrenta. Não é ouvido nem levado a sério pela imprensa e sua comunicação se limita a postagens superficiais nas redes sociais. Ele é a cara de um projeto de renovação que, precocemente, não deu certo.

 

Leia aqui sobre a viagem de Lissauer Vieira e Humberto Aidar aos Estados Unidos, por conta da Assembleia