Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 maio

Falência do Hospital Materno-Infantil, que visitou uma dezena de vezes, e assassinato de professor em Valparaíso, mostram a Caiado que é hora de menos discurso e mais ação

Com o início do oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, o governador Ronaldo Caiado está sob o impacto de dois fatos tão tristes quanto desgastantes, que, a rigor, não são da sua total responsabilidade direta, mas de alguma forma dizem respeito às suas obrigações para com a sociedade: o fechamento do Hospital Materno-Infantil, em Goiânia, e o assassinato de um professor, dentro de uma escola, em Valparaíso, no Entorno de Brasília.

 

São situações que têm pouco a ver com política e muito com a presença do governo na vida dos cidadãos goianos, garantindo o atendimento à saúde e a segurança, deveres mínimos de qualquer governo. Mas, vá lá, admita-se que parte tem a ver com os erros e as omissões dos governos passados. Parte. Não há como isentar a atual gestão – ainda mais quando Caiado desde a posse, fez questão de visitar várias vezes o Hospital Materno-Infantil, leiloar carros de luxo do Palácio das Esmeraldas para repassar os recursos ao estabelecimento e até achar tempo para inaugurar uma incubadora. O governador também esteve em Valparaíso, no mês passado, cidade que fica em uma região notoriamente marcada pelo descontrole da violência e falta de ação efetiva das forças policiais, principalmente em operações de repressão. Nem no caso do HMI nem no da criminalidade, no Entorno e no resto de Goiás, foram adotadas providências fortes e convincentes o suficiente para evitar tragédias, valendo registrar que, há um mês, morreu uma criança de cinco anos nos corredores do hospital, sob o silêncio e falta de reação da Secretaria de Saúde.

 

O escritor Paulo Coelho é um místico que acredita que a vida envia sinais e que devemos nos esforçar para entendê-los e atuar de acordo. Acredite nisso quem quiser. Caiado, que fala demais e desenvolve dia a noite a teoria de um Estado mergulhado em calamidade financeira e administrativa, além de passar muito, mas muito tempo mesmo em Brasília, andando pelo Senado e visitando autoridades do governo federal atrás de uma ajuda que ainda não veio nem se sabe quando virá, se é que virá, recebeu os seus sinais através do fechamento do HMI e da morte desnecessária do professor – e não é preciso doses de misticismo para acreditar neles. São sinais claros. Está passando da hora de dar passos à frente na gestão, diminuir um pouco o discurso e oferecer para a sociedade o cardápio que foi prometido na campanha: mudança.