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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 maio

Faça o que eu falo, não o que eu faço: deputado do chapéu criticou parentes em cargos na Assembleia, mas indicou o próprio irmão para uma diretoria da Codego (e Caiado já nomeou)

O deputado estadual Amauri Ribeiro, aquele da polêmica do chapéu, que, a propósito, ele venceu, sendo autorizado a se apresentar no plenário da Assembleia ostentado o seu precioso acessório, transformou-se rapidamente em típico exemplo de político moralista… quando se trata dos outros. Ele indicou e o governador Ronaldo Caiado nomeou o seu irmão Alexandre Ribeiro para a diretoria financeira da Codego, órgão que, se a nova gestão tivesse juízo, já teria extinguido para fechar mais um ralo por onde se esvai o dinheiro público em Goiás.

 

Amauri Ribeiro, antes de tomar posse, teve os seus 15 minutos de glória ao conceder entrevistas denunciando o descalabro administrativo e financeiro dentro da Assembleia, onde, segundo suas palavras textuais, “a maioria dos cargos são de indicações de governadores, deputados e outros políticos. Compõem o quadro de funcionários da Assembleia Legislativa: filhos e primos de ex-governadores; irmãos de vereadores e ex-deputados; filhos e irmãos de deputados; e, irmãos de ministros. Todos nomeados com remuneração de até R$ 20 mil”. Na época, ele prometeu que confirmaria sua denúncia com documentos assim que assumisse e levaria um dossiê ao Ministério Público, para as devidas providências.

 

Com menos de dois meses investido no mandato, o deputado mudou hipocritamente de ideia. Encostou a barriga no balcão de negócios aberto por Caiado para negociar cargos por apoio na Assembleia e tratou de indicar entre os beneficiados o próprio irmão.