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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 maio

Tropeções de Caiado, especialmente com o funcionalismo, abriram janela para a oposição, mas o PSDB perdeu a oportunidade ao se ajoelhar para Marconi e aceitar Jânio Darrot na sua presidência

Ninguém tinha a expectativa de que Ronaldo Caiado, eleito em 1º turno e com uma votação espetacular, fosse desperdiçar esse capital político em uma série de ações e omissões depois de assumir o governo, dentre as quais a principal foi a fatídica decisão de não pagar dezembro ao funcionalismo – empurrando a quitação da folha desse mês para um cruel parcelamento que irá até o início do 2º semestre.

 

De Caiado, com a consagração que teve nas urnas, esperava-se um governo beirando a perfeição. Mas ele passou e continua passando longe da promessa de mudança radical que fez na campanha e convenceu os goianos a acreditar nele. E o resultado é que se abriu uma janela para a oposição. Uma janela que a própria oposição não aguardava tão cedo. É por achar que as primeiras semanas do novo governo seriam arrasadoras que o ex-governador Marconi Perillo se refugiou em São Paulo, abrindo mão de qualquer liderança ou atuação em Goiás. O sumiço de Marconi deixou o PSDB, partido que deveria liderar o contraponto a Caiado, totalmente perdido, com vantagem para o novo governo, que ficou praticamente sozinho na área, enfrentando apenas os desgastes que impõe a si mesmo.

 

A oportunidade de crescer em cima do governo de Ronaldo Caiado surgiu, mas foi desperdiçada. Sobrou praticamente a voz crítica do deputado Talles Barreto, seus discursos na Assembleia e manobras parlamentares com a que aprovou o orçamento impositivo, derrota feia para o Palácio das Esmeraldas. Mas agora, pelo que se deduz das palavras do novo presidente do PSDB Jânio Darrot, pouco ou quase nada vai ser feito em matéria de oposição ao governo, O PSDB terá como prioridade eleger prefeitos no ano que vem e, por enquanto, tentar segurar nas suas fileiras deputados como Diego Sorgatto, eleito ao lado de Marconi, porém já tendo consumado adesão a Caiado.

 

Marconi escolheu Jânio Darrot para comandar os tucanos de Goiás para preservar o seu controle sobre o PSDB e, ao mesmo tempo, fechar as janelas para qualquer arejamento ou possibilidade de renovação, o que só poderia acontecer contra ele. Não é que a legenda vai continuar sendo a mesma de sempre – e isso já seria ruim. Vai é piorar, ao fugir do papel de apresentar alternativas e fazer contraponto ao governo do Estado, para o qual foi eleito pelas mesmas urnas que consagram o atual governador.