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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jul

Em mais um erro, Marconi foge da missa campal de encerramento da romaria de Trindade e prefere ir sozinho a uma outra, de madrugada, passando a imagem de que estaria se escondendo

Não existe evento público mais político, em Goiás, que a missa campal de encerramento da romaria de Trindade, normalmente palco para a aparição de uma manada de autoridades e outras nem tanto, em busca de visibilidade para as suas pretensões eleitorais. Neste ano, foi assim novamente. Lá estava o padre Robson vestido como um papa a reinar sobre figuraças do primeiro time do poder, gente como o governador Ronaldo Caiado, o prefeito Iris Rezende e os senadores Vanderlan Cardoso e Luiz Carlos do Carmo, aos quais se somou uma plêiade de lambaris e peixes pouco maiores da política estadual, como sempre.

 

Faltou, entretanto, o mais importante deles, do ponto de vista do ponto de vista da história da festa do Divino Pai Eterno nos últimos 20 anos. Sim, o ex-governador Marconi Perillo, católico da sacristia e responsável por encher as burras da Igreja do padre Robson, seja em forma de doações diretas por conta dos cofres do governo do Estado seja pelas obras que executou para dar infraestrutura e conforto aos romeiros de Trindade, como por exemplo iluminação pública, pavimentação e muito, mas muito mais para apoiar o segundo festival religioso mais importante do Brasil, atrás apenas da celebração de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

 

Marconi, em mais um escorregão dentro da sucessão de erros a que se entregou desde a campanha fracassada do ano passado, quando ficou em 5º lugar na disputa para o Senado, abriu mão da sua presença legítima no palanque das autoridades e preferiu participar solitariamente da primeira missa do dia, às 5h45min da madrugada, deleteriamente acompanhado de parentes e de um único político, o prefeito de Trindade Jânio Darrot, que ele nomeou presidente estadual do PSDB (e aparecendo todos em uma foto sombria). A impressão que ficou é que o ex-governador tucano se escondeu, provavelmente receoso de manifestações contra a sua pessoa – as mesmas que, em todos os anos anteriores, foram francamente favoráveis, de muito aplauso e provavelmente se repetiriam, ainda mais sob a proteção do amigável padre Robson – aquele que chegou até a chamá-lo ao microfone, em anos eleitorais, para faturar a simpatia dos milhares e milhares de peregrinos do Divino Pai Eterno.

 

Sim, é verdade que, anualmente, Marconi sempre assistiu a essa missa matinada. Depois, ficava para a celebração principal, onde recebia os louros dos aplausos populares induzidos pelo padre Robson e deixava os demais políticos presentes mordendo de inveja. Agora, se encolheu diante da presença sabida do governador Ronaldo Caiado, embora tivesse todos os motivos e todas as credenciais para comparecer de cabeça erguida. Não o fazendo, fugiu da tradição que construiu e que o autorizava a se sentar no melhor lugar possível no altar – quando nada dado o papel de benfeitor da romaria que sempre exerceu, diga-se de passagem, com a sinceridade e a honestidade das suas convicções quanto a fé cristã. Mais um equívoco.