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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 fev

Rogério Cruz abriu mão de ser a voz mais alta do Paço Municipal, tornou-se menor que Andrey Azeredo e, mais de 50 dias depois de empossado, deixa claro que Goiânia não tem prefeito

Alô leitoras e leitores: ouviram falar que Goiânia tem um prefeito chamado Rogério Cruz, que não foi eleito para o cargo, mas mesmo assim está sentado na principal cadeira do Paço Municipal, embora não se saiba o que está fazendo lá? Sim, provavelmente ouviram. Mas ninguém é capaz de dizer o que ele, esse Rogério Cruz, faz na condição de substituto indesejado de Maguito Vilela, aquele que foi eleito pelo maior estelionato eleitoral jamais produzido na  história de todos os pleitos disputados em Goiás, pelo menos em termos estaduais ou nas suas maiores cidades.

O destino, pelos seus descaminhos, designou Rogério Cruz como prefeito da capital. Mas isso é só o começo dessa triste narrativa. Não é suficiente para que determinar ele seja o prefeito. E isso, de fato, ele não é. No acanhado e superado prédio sede da municipalidade no alto do Park Lozandes, ouvem-se muitas vozes. A mais alta é a do secretário de Governo Andrey Azeredo, que tem a função de vigiar de perto e informar o presidente estadual do MDB Daniel Vilela de todos os passos e atos de Rogério Cruz, talvez com exceção de quando ele vai ao banheiro.

Andrey Azeredo opina sobre tudo na prefeitura. É advogado, mas palra como um pardal pardo sobre as estratégias de enfrentamento da segunda onda da Covid-19 como se fosse médico. Em ocasiões que se repetem cada vez com mais frequência, atravessa entrevistas para deixar claro o que o chefe deveria estar falando, porém se esqueceu ou não deu conta de formular. O secretário municipal de Governo na verdade é um vigilante implacável. Vejam a foto acima, amigas e amigos. Essa tem sido regra em pequenos e grandes eventos, embora haja mais pequenos do que qualquer outros no cotidiano em que a prefeitura mergulhou depois das glórias da gestão de Iris Rezende. Que ninguém se engane, tudo isso acaba vendendo a imagem de que Rogério Cruz é uma autoridade de uma perna só ou até mesmo meia perna – a outra são as de Andrey.

Goiânia já teve prefeitos fracos do ponto de vista da autoridade e do reconhecimento público. Só que, como o atual, nenhum. Que ele reze para que não se encomenda por aí uma pesquisa sobre a repercussão dos seus primeiros 60 dias. O resultado será pavoroso. Nem o falecido Paulo Garcia,, um dos maiores equívocos da história do Paço Municipal, invenção de Iris Rezende, se saiu tão mal, mesmo longe da estambótica engenharia que levou Rogério Cruz fpara a chapa Maguito pelo filho Daniel Vilela, interessado em consolidar a aliança com o deputado federal João Campos que foi profícua em 2018 e, nas articulações pré-eleição em Goiânia do ano passado, estava pensada para se projetar em 2022, isso sem falar na ideia obtusa de criar um contraponto a altura de tirar votos do adversário evangélico Vanderlan Cardoso.

O que Goiânia tem é um infelizmente é um simulacro de prefeito. Que, a depender das decisões da Justiça Eleitoral, onde tramitam questionamentos sérios ao seu mandato carente de legitimidade, pode nem prosperar no posto que ganhou graças a uma empulhação eleitoral raras vezes visto antes. O mais grave é que, por trás da cordialidade e do esforço sobre-humano para exibir como alguém humilde e consciente da própria pequeneza, Rogério Cruz não percebe que está sendo esmagado pelos seus pseudoaliados do MDB de Daniel Vilela, cujo único projeto, depois da morte de Maguito, passou a ser a manutenção desesperada do poder municipal em Goiânia para como instrumento político fundamental para o enfretamento das próximas eleições. Como algo tão esdrúxulo assim poderia dar certo?