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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 ago

Últimas pesquisas piscam a luz amarela para Marconi: repetição de 2018, quando ele liderou até a véspera da eleição, mas acabou em 5º lugar para o Senado, está colocada

A boa notícia que a pesquisa do Real Time Big Data, da TV Record, trouxe para o ex-governador Marconi Perillo, quanto ao seu índice de intenção de votos na corrida pelo Senado (27%, 12 pontos à frente do 2º colocado, Delegado Waldir, com 15%) não durou alguns minutos: simultaneamente à divulgação do levantamento no jornal Record Goiás, o Jornal Anhanguera 2ª edição revelou os números apurados pelo Ipec, ex-Ibope, que piscaram a luz amarela para o tucano.

Até as pedras de Pirenópolis, onde Marconi tem uma linda propriedade rural, sabem que ele deu um passo audacioso – e talvez imprudente – ao renunciar à segurança de um mandato na Câmara Federal para se lançar na dúvida inerente a uma disputa majoritária apenas quatro anos depois dos desgastes profundos que experimentou na eleição passada e que até hoje perduram, expressando-se na elevada rejeição com que é premiado em todas as pesquisas. Em Minas Gerais, Aécio Neves, tal como o ex-governador goiano, também liderava o páreo senatorial, mas candidatou-se a deputado federal para garantir a chance de dar sequência à pavimentação do seu caminho de volta para o palco principal da política nacional.

Pois bem: o Ipec, um instituto altamente confiável, superior ao Real Time de acordo com o ranking da Folha de S. Paulo, relacionou Marconi com 24% das intenções de voto, apenas 6 pontos à frente de Delegado Waldir. Considerada a margem de erro de 3 pontos para mais e 3 pontos para menos, isso significa simplesmente que ambos estão tecnicamente empatados, já que, no limite, Marconi chegaria a 21%, descendo, e Waldir subiria a 21%. É uma situação preocupante, quase desesperadora.

Não existem alternativas para Marconi, dada a sua escolha pelo Senado: ou ganha ou ganha. Perdendo, terá enterrado o seu futuro e será lançado para as franjas da história. Um risco exagerado, portanto, para a aventura que resolveu correr. Não se sabe com detalhes o que fundamentou a sua opção para as próximas eleições, mas uma coisa é certa: as suas margens são apertadas, conforme ficou demonstrado com a pesquisa Ipec e no empate técnico, ainda que na borda, com Delegado Waldir.

Reconhecidamente, o ex-governador é bom de serviço. Não tem preguiça e anda para cima e para baixo 24 horas por dia. Mas, atenção, Waldir, seu principal adversário também é. E leva a vantagem de integrar uma base que oferece um gigantesco espaço eleitoral, Estado afora, para quem tem capacidade de trabalho. A pouco mais de 30 dias para a data das urnas, o fenômeno negativo de 2018 pode se repetir, atropelando Marconi, como, aliás, é a previsão de Vilmar Rocha, que também concorre ao Senado pela aliança governista. A maratona senatorial só vai ser decidida na reta final, como quatro anos atrás.