A última de Marconi: lobista de corrida de cavalos em SP
O ex-governador Marconi Perillo está no centro de uma nova confusão, agora acusado de aproveitar a sua condição de presidente nacional do PSDB para defender a continuidade das corridas de cavalo em São Paulo – ameaçadas de proibição por um projeto em andamento na Câmara de Vereadores paulistana, aliás apresentado por um vereador tucano, um tal de Xexéu Tripoli. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Marconi tem telefonado para vereadores para a rejeição da matéria.
É incrível: o que Marconi tem a ver com corridas de cavalo? É uma surpresa tão grande quanto a da contratação dele pela Companhia Siderúrgica Nacional, após a derrota de 2018 para o Senado, quando não se sabia da sua especialidade em produção de aço. Mas a explicação pode vir daí. O dono da CSN é o bilionário Benjamin Steinbruch, também presidente do Jockey Club Paulista, um clube em estado falimentar situado em uma zona urbana privilegiada e de alto valor imobiliário na capital de São Paulo. Mais uma surpresa? Marconi é membro do conselho de administração do Jockey. Dá para acreditar?
O projeto em tramitação na Câmara de São Paulo, na verdade, impede que competições envolvendo animais tenham a ver com apostas esportivas. Isso simplesmente acaba com esse tipo de exploração desumana e cruel, pois, como se sabe, cavalos na pista são “estimulados” por chibatadas e outras crueldades. Tanto que, segundo o atual presidente do Legislativo paulistano, Milton Leite, “a proibição tem grandes chances de aprovação. São Paulo não comporta mais corridas de cavalo. Não quero ver cavalos levando chicotadas”, disse ele.
Marconi negou tudo. Mandou uma nota para a Folha de S. Paulo jurando jamais ter contatado nenhum vereador. Mas é fato que ele já procurou a prefeitura de SP para discutir a situação do hipódromo, que tem débitos milionários quanto a IPTU e ISS atrasados. A suspeita a recair sobre o ex-governador goiano é que ele estaria se aproveitando do assédio do atual prefeito paulista Ricardo Nunes, interessado em ter o apoio do PSDB para a sua reeleição. Imaginem só, leitoras e leitores: se tudo isso for verdade – e a Folha de S. Paulo garante que é – Marconi estaria se rebaixando a uma condição sem justificativa, a de apoiador de práticas incompatíveis com a sua biografia, envolvendo jogo, abuso de animais e tráfico de influência. Aí também é demais.