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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 out

Eleições/2026: confira um erro grave de Wilder e outro pior de Marconi

Com adversários fragilizados como o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL), o vice-governador Daniel Vilela (MDB-UNIÃO) pode contar com uma larga avenida aberta à sua frente rumo a uma vitória nas eleições para o Palácio das Esmeraldas em 2026. Wilder e Marconi estão cometendo erros que fragilizam as suas candidaturas logo na arrancada, se é que terão ânimo para levar suas ambições às últimas consequências. Vamos lá: o senador, considerado morno e pouco articulado pelos seus próprios colegas de partido, embarcou em um dos equívocos mais antigos e nefastos da história das disputas eleitorais em Goiás. Resolveu brigar com as pesquisas, escalando associados para contestar, por exemplo, o último levantamento da Atlas/Intel que escancarou uma disparada de Daniel com hegemônicos 42,3% das intenções de voto, abrindo larga vantagem sobre potenciais contendores – Wilder saiu-se com 16,5%, Marconi, 15,6%, e a deputada federal Adriana Accorsi (PT), 15,4%. Provou-se, de cara, que a Atlas/Intel incomodou.

 

 

O argumento dos wilderetes é a diferença entre a Atlas/Intel e o levantamento anterior da Genial/Quaest, que cravou 26% para Daniel Vilela, 22% para Marconi, 10% para Wilder e 8% para Adriana. Isso descredenciaria a Atlas/Intel, dentro de uma visão conspiratória que atribui a pesquisa do instituto a uma manobra da base governista. É conversa fiada. Para começo de conversa, Atlas/Intel é uma coisa, Genial/Quaest, outra. Não é boa política estabelecer uma linha de comparação entre pesquisas de institutos diferentes, diante da variação de metodologias. Para a Genial/Quaest, os entrevistados são classificados conforme sexo, idade, grau de instrução e local de moradia. Já a Atlas/Intel, que usa critérios absolutamente originais, considera esses quatro quesitos, mas acrescenta posicionamento ideológico e filiação ou não ao Bolsa Família. Talvez outros mais, até. Além disso, a Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores, entre 13 e 17 de agosto, enquanto a Atlas/Intel considerou mais do que o dobro, 2.872 eleitores, entre 17 e 23 de setembro. Perceberam? Houve tempo e volume suficientes para justificar os novos índices.

Nada a ver uma pesquisa com a outra, de qualquer forma. O certo é esperar pelo próximo trabalho da Genial/Quaest. Ainda por cima lembrando que a Atlas/Intel coleta dados pela internet, captando mais de 10 mil eleitores, número que, submetido à ponderação, caiu para as 2.872 entrevistas registradas. Realizada um mês depois, a partir de um banco de dados muito mais abrangente, não é de se estranhar que os resultados da Atlas/Intel tenham mostrado uma evolução em relação à Genial/Quaest. Essa metodologia revolucionária permite que o instituto tenha um grau elevado de acerto ao prever tendências, como aconteceu em Goiânia, em 2024, quando apontou Fred Rodrigues (PL) como o único candidato com uma vaga garantida no 2º turno, ficando a outra entre Sandro Mabel (UNIÃO) e Adriana Accorsi (PT). Da mesma forma, em Aparecida, a Atlas/Intel foi o único instituto a antecipar a virada de Leandro Vilela sobre o líder Professor Alcides, ainda no 1º turno, pesquisa, aliás, que foi recebida com deboche pela desastrada campanha de Alcides – e viu-se o que acabou acontecendo.

 

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Em vez de gastar energia contestando as pesquisas, a pré-campanha de Wilder Morais lucraria muito mais formulando propostas, apresentando ideias e mostrando preocupação com o futuro de Goiás. Wilder, em nenhum desses itens, tem o menor preparo. É um milionário diletante, travestido de político a título de procurar diversão. Atirar contra pesquisas, inclusive, costuma ser associada a um certo espírito derrotista e à insegurança do candidato. E tanto se configura como um enorme engano quando se sabe que pesquisas não motivam o voto, mas servem apenas para aquecer a militância mais aguerrida, o que, de resto, Wilder não tem. No mundo da internet, isso não conduz a lugar nenhum. Não influencia na eleição.

E Marconi? Seu mau passo é pior que o de Wilder porque, ao precipitar o lançamento da sua candidatura, ele colocou para circular a perspectiva da eleição do ano que vem, trazendo o assunto para a cabeça das goianas e dos goianos. Ora, o único favorecido por essa estratégia é justamente o candidato que conta com maior estrutura e maior visibilidade, obviamente Daniel Vilela, embalado pela preferência do governador Ronaldo Caiado e seus 88% de aprovação. Wilder, ao denunciar as pesquisas, e Marconi, abrindo extemporaneamente o debate sucessório, agem como cabos eleitorais de Daniel. Foi daí que se inflaram as intenções de voto de Daniel Vilela, tal qual apurado pela Atlas/Intel.