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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 out

Só há 2 cenários para 2026 em Goiás e Daniel Vilela leva vantagem em ambos

 

As eleições de 2026 em Goiás não parecem destinadas a trazer surpresas, mesmo porque, a um ano da data das urnas, só há dois cenários possíveis e, em ambos, o vice-governador Daniel Vilela, candidato da base aliada e “in pectore” do governador Ronaldo Caiado, aparece como o favorito absoluto ou, no mínimo, em vantagem significativa  – o que desde já está comprovado pela sucessão de pesquisas que o confirmam em 1º lugar, aumentando a cada rodada a diferença em relação aos demais concorrentes, pelo menos os supostos, por hora. Acompanhem a explicação nos próximos parágrafos, leitoras e leitores.

Cenário 1 – Saem quatro candidatos: Daniel, pela aliança MDB-UNIÃO; o senador Wilder Morais, representando o PL; o ex-governador Marconi Perillo, pelo enfraquecido PSDB; e um nome da esquerda, fatalmente alguém sem densidade eleitoral ou perfil majoritário, já que as melhores alternativas do PT e agregados cumprirão a missão de tentar o maior número possível de vagas na Câmara Federal, tal qual Adriana Accorsi, Rubens Otoni e Elias Vaz (PSB), dos quais somente Adriana teria alguma consistência para tentar o Palácio das Esmeraldas. Mas ela e os petistas sabem que as chances são inexistentes, diante da arrasadora predominância política da direita e do bolsonarismo em Goiás.

Cenário 2 – Apenas três candidatos porque, nessa hipótese, uma aliança bastante possível do MDB-UNIÃO com o PL levaria Wilder Morais a desistir para beneficiar o lançamento do deputado federal Gustavo Gayer pela chapa governista, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, concorrendo às duas vagas senatoriais, o que praticamente asseguraria a vitória de Gayer e atenderia à vontade do ex-presidente Jair Bolsonaro na busca de uma maioria expressiva na Câmara Alta capaz, por exemplo de decretar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Fechada uma aliança com o PL, Daniel Vilela acabaria ultra fortalecido, na medida em que a corrida pelo Palácio das Esmeraldas se transformaria em um passeio, sem espaço para os demais pretendentes, caso Marconi realmente o seja e menos ainda quanto a quem for lançado pela esquerda estadual.

Notem que, nas duas circunstâncias analisadas, o ponto de destaque é que a participação de Marconi e do PT não mostra potencial para influir no resultado: enquanto o primeiro está isolado e sem respaldo partidário, com o PSDB em frangalhos, e ainda carente de apoio de lideranças de peso, o segundo é um perdedor contumaz em Goiás, depois do sucesso passageiro da era dos professores – Darci Accorsi e Pedro Wilson, acrescentando-se o médico Paulo Garcia – como prefeitos de Goiânia. Foi só e também um fenômeno limitado à capital, a mesma que nos últimos três pleitos pelo Paço Municipal não permitiu que Adriana Accorsi sequer chegasse ao 2º turno. Qualquer que seja o cenário, a superioridade de Daniel Vilela como o escolhido por Caiado, do alto da sua aprovação de 88%, salta como um diferencial bastante para a construção de um desfecho positivo nas urnas, sob o embalo de uma das teses mais consolidadas eleitoralmente na história do Brasil: um governante extraordinariamente aprovado sempre vence, seja em uma eventual reeleição, seja com um preposto identificado com a sua liderança.

É preciso somar a isso as qualidades próprias de Daniel Vilela. Juventude, renovação geracional, carreira e experiência bem-sucedida como vereador, deputado estadual e deputado federal, DNA político privilegiado e homem de confiança de Caiado, além de liderar o partido mais tradicional do Estado e, em 2026, com data marcada para assumir o governo (abril) e se encontrar, na época da campanha, na titularidade do cargo e beneficiário de uma exposição midiática excepcional, tanto legal, detalhe importantíssimo, quanto natural. O que se tem, no final das contas, é um candidato posicionado com todos os ingredientes para uma eleição exitosa, contra o qual não há sinais de uma oposição significativa ou com força suficiente para uma virada de mesa.