Rompimento entre Adib e Jamil Calife incendeia a política em Catalão

Vejam a foto acima, leitoras e leitores. O deputado estadual Jamil Calife (PP) e o ex-prefeito de Catalão e atual secretário estadual de Infraestrutura Adib Elias (MDB) flagrados em um momento de sorrisos e olhares apaixonados. O idílio começou em 2022, quando Adib, então prefeito, retirou o médico Jamil do anonimato e o elegeu para a Assembleia Legislativa com inacreditáveis 20 mil votos só no município. Para 2026, o arranjo se repetiria, com o deputado caminhando para uma reeleição tranquila mais uma vez sob as asas do seu santo padroeiro. De repente, esse cenário até então tido como uma certeza… simplesmente explodiu. Fotos como essa, daqui para a frente, não mais existirão.
Adib deu um passo atrás e surpreendentemente lançou a sua candidatura a deputado estadual. Retomou o seu programa diário de rádio e passou a visitar pastores, prefeitos das adjacências, lideranças partidárias e gente de peso da sua base tradicional. Alegou que sempre teve a intenção de retomar sua carreira parlamentar e disputar uma vaga no Palácio Maguito Vilela, com o projeto, inclusive, de ascender à presidência da Casa na próxima Legislatura. Acha que esse é o seu destino. Para Jamil Calife, foi como ser atirado em um precipício sem ter um galho seco ao qual se agarrar. Sem o impulso de Adib, ele fica sem chance nenhuma de um 2º mandato.
Como tudo em Catalão, que cultiva a fama de Atenas de Goiás com seu poderoso núcleo de mais de seis mil estudantes universitários, mas sempre praticou um trocatapas de baixíssimo nível na esfera política, instalou-se imediatamente uma onda de ataques e agressões entre os grupos ligados a Adib e a Jamil. O clima esquentou à jato. O ex-prefeito, de fato, tinha compromisso com o deputado. Rompeu esse laço logo após assumir a Secretaria estadual de Infraestrutura, onde constatou ter se assentado em uma cadeira honorária, sem acesso ao que realmente importa na área: um conjunto acima de 80 grandes obras em andamento ou planejamento e as dezenas de empreiteiras que hoje trabalham para o Estado. Nisso aí, o governador Ronaldo Caiado é rigoroso e inflexível: quem cuida desse universo milionário é a Goinfra, nas mãos do seu homem de confiança Pedro Sales. Cada centavo do dinheiro público é vigiado dia e noite.
Houve um segundo fator. Adib amarelou quando começou a receber comunicados do Ministério Público Estadual avisando que a instituição não concordava com o modelo adotado pelo governo do Estado para investir os recursos do FUNDEINFRA, através de parcerias com entidades privadas, sem licitação. O MPE chegou a propor uma ação para questionar a legalidade dessa matriz inovadora, na qual fala até em decretação de inelegibilidade para os envolvidos, caso insistam em levar adiante essa contratação inédita para projetos principalmente rodoviários. O Supremo Tribunal Federal entrou na parada, acionado pelo PT, com uma liminar do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu as leis autorizativas da nova modalidade; na sequência, Moraes recuou e liberou a execução das obras já iniciadas, aguardando-se agora uma decisão em caráter definitivo a cargo do plenário do STF.
A confluência desses dois fatores acendeu um sinal amarelo na cabeça de Adib e ele decidiu que vai permanecer na Secretaria de Infraestrutura somente até 31 de dezembro, exonerando-se nesta data para oficialmente se dedicar à campanha para a Assembleia. Jamil Calife, colhido de surpresa e sem ter sido informado de nada por Adib, resolveu peitar o ex-aliado para arriscar um voo solo – e aí começou a guerra que incendeia a política de Catalão e de certa forma preocupa a base governista, já que os resultados das urnas na cidade costumam influenciar toda a região ao redor, englobando pelo menos 20 municípios. É muito voto. E com potencial para se refletir na corrida majoritária, ou seja, pelo Palácio das Esmeraldas. A sacudida na disposição das pedras no tabuleiro de xadrez catalano parece ser definitiva.