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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 jan

Wilder: como alguém sem ideias pode pretender o governo de Goiás?

 

Já é notório que nem mesmo o senador Wilder Morais investe muita energia na sua candidatura ao governo de Goiás pelo PL. Ele não articula, não apresenta propostas para o futuro das goianas e dos goianos, não se movimenta e, enfim, nada faz, a não ser, de vez em quando, enunciar vagas declarações de intenção. Para um cargo que é o mais importante do Estado, nunca revelou uma ideia sequer minimamente consistente – além de que, dentro da sua própria legenda, jamais atraiu qualquer apoio declarado de forma incisiva ou contundente, no máximo, e às vezes, manifestações burocráticas.

O PL goiano – e, de resto, o nacional – parece ter prioridades à frente da eleição de Wilder para o Palácio das Esmeraldas. A maior delas, todo mundo sabe, é despachar o deputado federal Gustavo Gayer para o Senado, ajudando a compor a sonhada (pelo bolsonarismo) maioria para a aprovação do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Gayer tem lastro dentro da extrema direita. Dentro do seu radicalismo, é um político coerente. Defende com unhas e dentes tanto o Jair quanto as bandeiras caras ao conservadorismo nacional. Decidindo-se o PL a apoiar Daniel Vilela para o governo estadual (e consequentemente rifando Wilder), sua ascensão para a mais alta Câmara Legislativa do país transitará em uma avenida sem obstáculos, ao garantir a 2ª vaga ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado na chapa que representará a poderosa base governista chefiada pelo governador Ronaldo Caiado.

 

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Wilder já recebeu as bênçãos da sorte por duas vezes: uma, ao ganhar um mandato senatorial de mais de sete anos como suplente de Demóstenes Torres, outra, ao se eleger em 2022 para o mesmo Senado como beneficiário da onda bolsonarista que varreu o país. Em ambos os casos, não exibiu nenhum mérito pessoal ou político, a não ser oportunismo barato. Já passou de 10 anos como senador, em… brancas nuvens. Não honrou nem as calças ideológicas que lhe deram o 2º mandato, a cada três votações posicionando-se a favor do governo Lula em duas. Isso, óbvio, trouxe como consequência esperada a desconfiança do bolsonarismo.

Levar (ganhar) o governo de Goiás na flauta, sacrificando as possibilidades de Gustavo Gayer se assentar no Senado, aí, sim, como um verdadeiro e fiel seguidor do ex-presidente, não de ocasião, seria uma jogada sem sentido de Wilder e, portanto, de pernas curtas. Daí, o Jornal Opção revelou, nesta quarta, 21, que o PL tanto estadual quanto nacional já sacramentou a intenção de ingressar na aliança encabeçada por Daniel Vilela, “tendo cessado as resistências de Wilder Morais ante o inevitável: todo o PL de Goiás quer apoiar Daniel para governador e Gayer para senador”, de resto abrindo um palanque fortificado para os postulantes a deputado estadual e federal da sigla.

Em tempos recentes – ou de 40 anos para cá – somente um político de poucos neurônios foi eleito para governar Goiás, mesmo assim não por si, porém no papel de poste de um líder com a aprovação espetacular de que desfrutava o Marconi Perillo de 2006: Alcides Rodrigues, que fez uma péssima administração e daí caiu no ostracismo. Wilder, repetindo, é um homem sem ideias e sem conteúdo, inapto para “guiar o povo” e conduzir um Estado em rota de explosivo desenvolvimento rumo aos dias de amanhã. O Senado, para ele, até passou da medida. Que aproveite os prazeres de Brasília pelos seus quatro anos restantes do mandato. Além disso, não vai dar.