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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 abr

Pesquisas se sucedem acendendo sinal amarelo para Vanderlan

Com os pés divididos entre duas canoas, ele como um dos 4 candidatos ao Senado na chapa do governador Daniel Vilela e a mulher, Izaura Cardoso, na condição de 1ª suplente pronta para assumir no caso de uma eventual vitória do senador Wilder Morais na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, o senador Vanderlan Cardoso assiste a uma sucessão de pesquisas prenunciando dificuldades enormes para a sua reeleição.

A última, divulgada pela Genial/Quaest, apontou, como esperado, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado em 1º lugar, com 22% das intenções de votos. Vanderlan vem em seguida ao cravar 12%, enquanto os deputados federais Zacharias Calil e Gustavo Gayer marcam respectivamente 11% e 10%. Quer dizer: os 3 estão embolados em empate técnico, dado que a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos(*).

 

 

A pesquisa Genial/Quaest, portanto, não é boa para Vanderlan. Péssima, aliás. Ele está no Senado há 8 anos, enquanto Zacharias e Gayer carregam a carga positiva da novidade. Seu único “trunfo” são as alegadas 4 mil máquinas entregues para prefeituras e associações de produtores, por conta de emendas orçamentárias e do controle de uma diretoria da Codevasf que Lula deu a ele – e de graça não foi. Essa estratégia – distribuição de equipamentos pesados pelo interior afora – tem pouca ou nenhuma repercussão junto ao eleitorado real. Pode atrair apoiadores, principalmente prefeitos, o segmento mais oportunista da política em Goiás. Não à toa, Vanderlan fez um evento em Goiânia com o então governador Ronaldo Caiado e seu vice Daniel Vilela para anunciar a sua candidatura à reeleição como membro da base governista. Mandou convites, secretárias telefonaram, ele mesmo falou a maioria dos prefeitos que beneficiou. No balanço final, contabilizou-se a presença de apenas… 24.

 

 

Não há nada de errado em senadores aproveitarem sua influência e prestígio para levar tratores, caminhões, pás carregadeiras, ônibus e similares para os municípios. Mas isso passa ao largo da missão institucional inerente a quem detém uma das 81 exclusivas cadeiras das mais alta Câmara Legislativa do país. Zacharias Calil e Gustavo Gayer, ao contrário de Vanderlan, parecem muito mais identificados com o papel de um senador como representante de interesses coletivos. Zacharias é um médico renomado, eleito por 2 vezes deputado federal sem contar com um único colégio eleitoral (ou prefeito), o que confirma a sua ressonância social. Gayer nem se fala: ícone da extrema direita, vocaliza o vasto público bolsonarista estadual, hoje oscilando entre 15 e 20% da população, talvez mais, talvez menos, porém muito expressivo.

O páreo vai ser duro para Vanderlan. Alguém com a visibilidade de quase 8 anos como senador despontar em uma pesquisa com somente 12%, enquanto concorrentes mais “modestos” e novatos, digamos assim, já partem de um empate técnico, eis aí um perfeito mau agouro. Em 2024, ele se candidatou a prefeito de Goiânia, começou a campanha com 20% acima, entrou em queda que foi se tornando cada vez mais vertiginosa até terminar com humilhantes 6,7%, em 5º lugar. Um desastre, que acentua a propensão de Vanderlan para cair à medida em que as urnas se aproximam, por falta de conteúdo pessoal e político. A explicação é simples: como em 2024, o senador, na campanha deste ano, em busca de mais um mandato, não tem o que dizer de significativo às goianas e aos goianos.

(*)A Genial/Quaest fez 1.104 entrevistas com eleitores de Goiás entre os dias 24 e 28 de abril. A coleta de dados foi domiciliar, presencial, com questionários estruturados. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral e protocolada sob o número GO-00211/2026, no dia 24 de abril de 2026.