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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 maio

Agressões chulas entre deputados não é fato isolado e refletem a degradação da Assembleia

A semana da Assembleia Legislativa foi marcada por um entrevero de baixíssimo nível entre dois deputados, aliás do mesmo partido, o PL: Major Araújo e Amauri Ribeiro. Ambos, de fato, integrantes do baixo clero da Casa, se é que todos os 41 parlamentares não o são. Esse tipo de “debate” não é novidade no prédio milionário do alto do Park Lozandes, porém, pela gravidade das injúrias trocadas e pela recorrência, dessa vez denuncia a completa perda de controle do presidente Bruno Peixoto sobre o Poder que comanda.

 

 

Os recortes do pavoroso baticum entre Major e Amauri inundaram as redes sociais. São chocantes. Envergonham Goiás. O triste é que não configuram um fato isolado e sim um retrato da degradação moral da Assembleia na gestão de Bruno Peixoto. Ele, Bruno, construiu sua liderança sobre o conjunto dos colegas a partir da concessão indiscriminada e escandalosa de benesses, engordando os salários de todos com penduricalhos milionários e vantagens como a distribuição de SUVs pretas de R$ 450 mil reais para cada um, para uso à vontade, já que os veículos não são identificados como custeados pelo Poder Público. Ao mesmo tempo, avacalhou a Assembleia expandindo desbragadamente as suas despesas e aumentando exponencialmente o número de funcionários comissionados – hoje o maior dentre todos os Legislativos estaduais.

 

 

Resulta que o apreço e consideração pela palavra do presidente é escasso no plenário, nos gabinetes e nos corredores da Assembleia. A discussão de ideias foi substituída pela omissão quanto aos interesses de Goiás e descompromisso total com a sociedade. Nos microfones, são só insultos e até ameaças de morte. Sim, Major Araújo avisou Amauri Ribeiro que, caso prosseguissem com as críticas, ele estaria destinado a “amanhecer morto”.

Bruno Peixoto, da cadeira presidencial, tentou molemente controlar os ânimos, mas foi ignorado. Desistiu e encerrou a sessão – último recurso da falta de autoridade. Os dois deputados pouco ligaram e seguiram trocando ofensas proibidas para menores. Ninguém se intrometeu. Embates parecidos, anteriores, na gestão de Bruno, não foram apreciados por um conselho de ética fajuto que existe na Assembleia. Falam-se e fazem-se as besteiras que se quiser na Assembleia e ninguém é punido. Não há respeito pela figura do presidente. Não se cultiva o pudor no Palácio Maguito Vilela.

Bruno Peixoto premiou todos os deputados estaduais, do PT ao PL, com uma estrutura que, por si só, coloca qualquer parlamentar a um passo da reeleição, independentemente dos serviços prestados e se conseguiu ou não justificar o mandato. A insignificância é geral. Não há medida para essa aberração, que afasta automaticamente cada detentor de cadeira na Assembleia do esforço pela construção de um Estado melhor e define a dignidade como um atributo barrado pelas catracas do Parlamento goiano. Na vida pública, quando se perde o respeito, não sobra nada, a não ser a desonra. Esse é o legado da gestão de Bruno Peixoto e de uma Legislatura que passará à história como a pior de todos os tempos.

 

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