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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 jul

Eleição para o Senado é fria, por natureza. Mas para o governo do Estado está gelada e isso não é normal

A disputa por vagas no Senado sempre se deu em ambiente frio em Goiás, sem emoções e sem debates realmente interessantes. De vez em quando, alguma reviravolta, como em 2002, quando o xerife Demóstenes Torres, egresso de uma bem-sucedida experiencia como secretário estadual de Segurança Pública, surpreendentemente derrotou Iris Rezende. Ou, mais recentemente, quando o apagado Wilder Morais surfou na onda bolsonarista que elegeu senadores na maioria dos Estados.

 

 

Na corrida ora em curso, com 2 vagas em jogo, uma já está reservada sem sustos para a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÃO). É dela, como demonstração de reconhecimento pelo intenso e maciço trabalho desenvolvido com iniciativas notáveis na área social. A outra está em aberto, com ligeira tendência a favor do deputado federal extremista Gustavo Gayer (PL) ou do também deputado federal Zacharias Calil (MDB), neste caso como reflexo dos efeitos positivos da candidatura de Gracinha sobre um dos seus companheiros de chapa. Agregam-se ao grupo, ainda, o senador Vanderlan Cardoso, confiando em um exército gelatinoso de prefeitos, e o pretensioso ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, que se julga um líder de massas na região da Grande Goiânia.

Nada disso empolga. Por isso, a eleição senatorial segue em baixa temperatura. Quem precisa correr atrás, ou seja, os pretendentes à 2ª vaga, postam algumas bobagens nas redes sociais e mendigam espaço na imprensa convencional. Ninguém se interessa. Mas dá para entender o fenômeno: Senado é uma instituição desconhecida. A população não sabe o que faz ou deveria fazer um senador. E daí não dá a menor importância para esse voto.

 

 

Para o governo do Estado, é diferente. Menos… neste ano. O clima da eleição para o Palácio das Esmeraldas anda gelado. A menos de 80 dias da data das urnas, não se vê debate algum. O governador Daniel Vilela (MDB) navega soberanamente, cumprindo a sua agenda oficial que funciona como um poderoso painel de visibilidade total para o seu nome. É a vantagem natural de quem, no cargo, busca a reeleição. Os adversários – o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT), sem falar no inexistente vereador Telêmaco Brandão (NOVO) – parecem colaborar com Daniel Vilela. Não incomodam. Não propõem teses alternativas. Não lançam propostas. Movimentam-se por uma agenda esvaziada de encontros em padarias, salões e câmaras municipais do interior, em especial Marconi e Wilder. Não arregimentam partidos para formar alianças e aumentar o tempo de propaganda no rádio e na televisão. Não atraem líderes de expressão para os seus palanques, se é que os haverá.

 

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A partir de meados de agosto, espera-se algum incremento de calor para a campanha pelo governo estadual. É quando começam as aparições no horário gratuito do TRE. Mas será, mesmo, que isso vai acontecer? A coligação de Daniel Vilela, com um volume recorde de siglas, terá direito a quase 70% de todo o tempo. Wilder e Luis Cesar, em torno de 1 minuto cada. Marconi, talvez 20 segundos. O que eles farão com tão exíguas aparições, obrigados a falar em modo acelerado, tocar um jinglezinho e lembrar 2 ou 3 vezes os respectivos números? Como comunicar uma ideia ou detalhar minimamente um projeto? Que pulso milagroso de criatividade poderia superar o alcance zero desses escassos segundos? Não se imagina.

Nenhum político jamais conquistou o Palácio das Esmeraldas sem um trabalho ou movimentação de peso, sem falar que necessariamente é preciso simbolizar uma bandeira de amplo alcance social ou uma visão de futuro para a sociedade estadual. Apenas oferecendo uma troca de nomes, não se vence para governador. Daniel Vilela está bem situado nesse quesito. Ele é a continuidade das conquistas reconhecidas das gestões de Caiado, à qual adicionou um toque de inovação e criou em tempo recorde uma marca própria. Marconi, Wilder e Luis Cesar sequer têm consciência, eles mesmos, do que são ou representam – e por isso não são nada. Retorno ao passado, quanto a Marconi; aventura bolsonarista fora de moda, em se tratando de Wilder; e submissão de Goiás aos interesses personalistas de Lula, como Luis Cesar sem corar a cara admite. Vão dar com os burros n’água, em uma eleição na qual entraram sem lenço sem documento. Não são candidatos. Não cumprem o papel que compete a uma oposição de verdade, que, mesmo sem chances, teria alguma contribuição a somar. São fantasmas perdidos na escuridão eleitoral.