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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 ago

Chapa sem densidade eleitoral fragiliza ainda mais candidatura de Marconi

 

O que move o ex-governador Marconi Perillo na sua tentativa de retornar ao Palácio das Esmeraldas? Difícil responder a essa pergunta. Chances de vencer a eleição, certamente, não. Marconi é um candidato sem o apoio de nem um único partido de expressão. É do PSDB, legenda que se esfrangalhou até virar pó no Brasil e em Goiás. Não existem lideranças de peso dispostas a subir no seu palanque. Quatro prefeitos apareceram na convenção que oficializou a sua candidatura. E 3 deputados estaduais. Federal, nenhum. Fora esses, a presença mais “ilustre” foi a viúva de Maguito Vilela, a empresária Flávia Telles.

Onde vai dar essa falta de consistência política e eleitoral da campanha de Marconi? Em mais uma derrota. Há outros fatores negativos. O de maior gravidade é a rejeição do eleitorado ao ex-governador. Em média, 50%, pouco mais pouco menos, a depender do instituto que faz a pesquisa. Ou seja: praticamente metade das goianas e goianos não vota nele de jeito nenhum. Essa muralha é intransponível. E está à frente de Marconi desde que perdeu a 1ª eleição, para o Senado, em 2018, não saiu do lugar e o ajudou a cair pela 2ª vez, em 2022, novamente para o Senado. Agora, atravanca o seu caminho do mesmo jeito, sem diminuir um milímetro sequer.

 

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Nada é tão ruim que não possa piorar. Escanteado do palco principal da política em Goiás e pendurado apenas em um elevado recall entre o eleitorado, produto de 20 anos de poder (4 mandatos de governador e um de senador), Marconi poderia assegurar uma vaga de deputado federal e voltar ao jogo. Não o quis em 2018, continuou não querendo em 2022 e não o quer nas eleições deste ano. A opção errada levou ao fracasso nas urnas naquelas 2 ocasiões, assim como agora ajuda a preparar o 3º tombo. Desde o final do ano passado, Marconi congelou-se no 2º lugar das pesquisas, 10 pontos à frente de Wilder Morais (PL), mas entre 16 e 20 atrás de Daniel Vilela (MDB). Não cresce. Daniel, ao contrário, segue em trajetória de alta, aumentando gradativamente a diferença em relação aos concorrentes e se cacifando para liquidar a fatura no 1º turno (o que já aparece nas últimas pesquisas da Genial/Quaest e da Paraná Pesquisas).

Por que Marconi mais uma vez abriu mão de um mandato garantido na Câmara dos Deputados e preferiu se aventurar na busca pelo Palácio das Esmeraldas? Vaidade? Erro de cálculo? Teria informações privilegiadas apontando para a sua viabilidade? O fato é que a decisão de se lançar para o governo não é amparada por fundamentos sólidos. Ao contrário, há um acúmulo de variáveis desfavoráveis, enumeradas nos parágrafos anteriores. A propósito, a própria chapa, formada por nomes fraquíssimos na vice e nas 2 vagas senatoriais, é mais um atestado de debilidade. A produtora rural de Rio Verde Jacqueline Zaiden, indicada para a vice, é uma desconhecida. Também o é o advogado Iure Castro, candidato ao Senado. O outro, Ernesto Roller, ex-deputado estadual, pelo menos já foi votado, porém hoje está distante dos seus melhores momentos. A chapa, fora Marconi, tem densidade igual a zero.

Tudo isso significa que só um milagre para evitar um novo fiasco nas urnas. O cenário das eleições é adverso para Marconi, diante do acúmulo de fragilidades sobre ele. Como reverter, quando o prazo é curto até 4 de outubro? No rádio e na TV, elementos cruciais para a reta final da campanha, o tempo do ex-governador será de 34 segundos. Não trazer visibilidade alguma, será só dizer o nome, uma frase de efeito, tocar um pedacinho do jingle e mostrar o número. À jato. É de desanimar. E se Marconi for ultrapassado por Wilder Morais, que tem nas mangas o trunfo do bolsonarismo, e cair para a 3ª colocação, o que virá na sequência é o fim de uma carreira.