Restrições ao uso da imagem de Bolsonaro afeta campanhas de Wilder e Gayer
Manifestações da Justiça Eleitoral pelo país afora estão impondo limitações para o uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro por candidatos aos mandatos em disputa nas eleições deste ano. Valem para postulantes a deputado estadual e federal, senador e governador. Decisões até duras têm sido tomadas por TREs específicos, como o de São Paulo, ao vetar fotos do Jair encarcerado em banners e materiais gráficos de campanha. Quanto a vídeos antigos ou mesmo produções de Inteligência Artificial, permanecem dúvidas, à espera de esclarecimento pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Não se sabe nem se cenas de arquivo estariam liberadas. Novas resoluções judiciais podem sair a qualquer momento. Em Goiás, o candidato ao Senado Gustavo Gayer já produziu e distribuiu banners ao lado de Bolsonaro e do filho candidato a presidente da República Flávio. Wilder, por enquanto, não recorreu à figura do ex-presidente, ausente do seu visual de campanha, ainda não ouvido ou visto, até hoje, nem nos programas de rádio e televisão. Vai fazê-lo, contudo, e, quando o fizer, os adversários fatalmente levantarão a ilegalidade do uso da imagem do Jair junto ao TRE-GO e defenderão uma proibição.
Reconheça-se: Gustavo Gayer não necessita de “provas”, digamos assim, para a sua condição de bolsonarista autêntico e histórico. Não há necessidade de uma foto ou um vídeo para simbolizar as suas tendências ideológicas e as suas incontestes ligações com Jair Bolsonaro. Ele sempre foi bolsonarista, é e continuará sendo, tanto que nunca foi contestado ou alvo de suspeitas quanto a sua fidelidade ao movimento liderado pelo capitão hoje confinado em sua casa de Brasília. Essa vinculação política de Gayer não só é ostensiva, como também de conhecimento geral e irrestrito do eleitorado goiano.
Já com Wilder Morais a situação é diferente. Parte das lideranças do próprio bolsonarismo em Goiás considera o senador muito mais um oportunista em busca de vantagens pessoais. Sua pureza bolsonarista não chegaria aos pés, por exemplo, da incorporada por Gustavo Gayer. “Wilder não é, a rigor, bolsonarista. Para se cacifar nas campanhas, alinha-se com os bolsonaristas, mas tem pouco a ver com eles. Por isso, seguindo a lógica do realismo, nunca fez críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e tampouco ao ministro Alexandre de Moraes”, assinalou o Jornal Opção, em matéria publicada há poucos dias, na qual se lembra que Wilder sequer apareceu no plenário do Senado para votar contra a indicação de Jorge Messias para o STF – uma das causas caras ao bolsonarismo nacional, embora depois, no final das contas reforçando a tese do oportunismo, publicasse nas redes sociais um vídeo comemorando a derrubada de Messias.

E tem o episódio da Medalha 3i, entregue por Jair Bolsonaro ao então vice-governador Daniel Vilela, em dezembro de 2024. A mais alta “condecoração” do bolsonarismo brasileiro refere-se aos termos “imorrível, imbrochável e incomível”, expressões pertinentes à trajetória do ex-presidente. Ao que consta, Wilder Morais jamais foi agraciado com a “homenagem”. Quem recebeu: Javier Milei, presidente da Argentina; Neymar; Gilberto Kassab; Alexandre Garcia, jornalista; Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA e mais uma pequena lista de no máximo 30 personalidades. Repetindo: Wilder não está entre elas, Daniel Vilela, sim. Aliás, mais ou menos na mesma época, Wilder foi até criticado por Bolsonaro, sob a acusação de votar a favor do governo Lula a cada 2 entre 3 projetos de interesse do Palácio do Planalto apreciados pelo Senado.
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Seja como for, as pesquisas da Quaest e da Paraná Pesquisas revelam que, entre o eleitorado estadual de direita não bolsonarista, a maioria prefere Daniel. Pior: entre a direita bolsonarista radical, mais de 40% também declaram voto, desde já, no atual governador. Isso documenta a falta de identidade entre Wilder Morais e o segmento que ele alega representar em Goiás. Nesse sentido, cada obstáculo colocado pela Justiça Eleitoral para que candidatos se valham do rosto e da voz do Jair para capturar votos resulta em prejuízos para a campanha de Wilder, diante da necessidade de exibir evidências concretas de alguma substância bolsonarista. No caso de Gustavo Gayer, nem tanto.