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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 ago

Wilder ignorou Flávio Bolsonaro no debate Band e não citou nem o Jair. Traição?

Muito se diz sobre a veracidade do bolsonarismo que o senador Wilder Mortais (PL), candidato a governador de Goiás, costuma se auto atribuir. Muita gente, inclusive com ligações estreitas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, já manifestou publicamente dúvidas sobre a sinceridade de Wilder ao se declarar fiel ao grupo político mais radical da história do Brasil. Um deles é o secretário municipal de Cultura de Goiânia Uugton Batista (leia detalhes aqui), um ex-auxiliar de Bolsonaro no governo federal. Uugton, com todas as letras, disse em maio último que “o projeto político de Wilder Morais é pessoal, não é do PL, não é de Jair Bolsonaro, não é dos prefeitos, não é de Gustavo Gayer, não é de Major Vitor Hugo e tampouco é dos eleitores goianos”, ao recomendar uma composição do bolsonarismo goiano com a base governista e com a candidatura de Daniel Vilela – que acabou não acontecendo.

 

 

Uugton acertou no alvo? A se julgar pelo debate promovido pela Band TV no último domingo, 9 de agosto, entre os candidatos ao Palácio das Esmeraldas, a resposta é… sim. Ou, no mínimo, é possível que sim. Chamou atenção, até da imprensa nacional, o fato de Wilder não mencionar o nome do candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, escolhido pelo Jair encarcerado como seu herdeiro político. Flávio não foi mencionado uma única vez pelo mesmo Wilder que, na convenção do PL, na semana passada, proclamou aos 4 ventos: “Em 1º lugar, eu vou defender você [Flávio Bolsonaro], depois vou defender o nosso Estado de Goiás” – frase que gerou desgastes para o senador e ele, pelo menos quanto à 1ª parte, não está cumprindo, talvez exatamente para tentar reverter o prejuízo.

No entanto, não é de hoje que Wilder Morais incorre nesse tipo de omissão. No Senado, ele nunca se enfileirou entre os apoiadores mais incisivos do bolsonarismo. A cada 3 projetos apresentados pelo governo Lula, votou a favor de 2. Foi um dos senadores ausentes do plenário quando o indicado de Lula, Jorge Messias, foi rejeitado para o Supremo Tribunal Federal (confira aqui). Consta até que o próprio Jair teria reclamado da atuação de Wilder na mais alta Câmara Legislativa do país, desconfiado da sua fidelidade. E deu no que deu: no debate da Band, Wilder também não mencionou o nome do ex-presidente, além de não tocar na candidatura presidencial do filho. Luis Cesar, do PT, no mesmo debate, lembrou o tempo todo que Lula postula a reeleição e fez uma defesa enfática das realizações e conexões do petista com Goiás.

 

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Folha de S. Paulo, Globonews, Estadão e O Globo foram alguns dos grandes veículos de comunicação a registrar o fato de Wilder Morais simplesmente “esquecer” o Bolsonaro filho e o Bolsonaro pai durante o debate da Band. É óbvio: um lapso como esse chamaria atenção – e chamou. Talvez para plantar uma “vacina”, durante o confronto, Wilder explicou participar do 1º debate entre candidatos da sua carreira política e que, daí, estava “nervoso”. Isso, contudo, não o impediu de falar da sua biografia, exaltar a sua trajetória bem-sucedida como empresário e fazer elogios ao ex-governador Ronaldo Caiado, referindo-se expressamente ao seu nome e ressaltando o êxito da política de segurança em Goiás” (“Não podemos negar”, admitiu). Importante: Wilder tinha anotações em papeis no seu púlpito e as consultava sem parar. Bastaria, lá, um lembrete sobre as eleições presidenciais.

E Caiado é adversário de Flávio Bolsonaro. Certo: a redução drástica de todos os índices de criminalidade no Estado é uma conquista incontestável das gestões de Caiado como governador. Não há como bater contra e Wilder, nesse sentido, agiu corretamente no debate da Band. Mas o problema não é esse. No mínimo, ao não invocar os Bolsonaros, em especial ao não propagandear a candidatura presidencial de Flávio, como Luis Cesar fez no caso de Lula, Wilder foi desleixado e negligente. Deu munição a quem o acusa de ser um “político” hipocritamente atrás apenas de proveito pessoal, como resumido por Uugton Batista. É isso está no ar: não à toa, a última pesquisa Genial/Quaest apurou que, dentro do segmento bolsonarista em Goiás, as intenções de voto em Wilder ficam bem abaixo da pontuação de Daniel Vilela.