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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 set

Maior dúvida da eleição é se Marconi vai conseguir escapar da queda para o 3º ou 4º lugar

 

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) protagoniza a única grande dúvida da eleição em Goiás, pelo menos por enquanto: será que ele conseguirá segurar o 2º lugar ou cairá para a 3ª posição, cedendo a vaga para o senador Wilder Morais (PL). Pior: Marconi corre o risco de ser suplantado até mesmo por Luis Cesar Bueno (PT) e no final das contas terminar na 4ª colocação?

Sinais apontando para Marconi ladeira abaixo nas intenções de voto já apareceram. A pesquisa Atlas/Intel, por exemplo, apresentou na semana passada Wilder Morais em 2º lugar, com 20,1%, enquanto o ex-governador passou a figurar na 3ª posição, com 16,1%. Trata-se de um movimento esperado desde há muito, em razão da fragilidade da candidatura de Marconi – completamente isolado, sem alianças com partidos ou lideranças de peso e subjugado por escassos 30 segundos no horário gratuito do rádio e da televisão, dentre outras fraquezas.

Wilder Morais, ao contrário, representa um partido, o PL, dono de uma base política e ideológica bem definida, pelo menos em tese, no caso de Goiás, beneficiando-se do apoio dos segmentos bolsonaristas (não é tanto assim: as pesquisas mostram que, entre os adeptos do Jair no Estado, a reeleição do governador Daniel Vilela supera as preferências por Wilder). Porém, o bolsonarismo identifica cerca de 20% do eleitorado goiano e isso, de certa forma, tem potencial para impulsionar um candidato ao Palácio das Esmeraldas vinculado ao Jair encarcerado.

Marconi não tem nada nas mãos. A favor, só conta com o recall constituído pelos seus 20 anos de mando absoluto sobre a política estadual. Positivo? Não. Como um nome ultraconhecido, ele acaba incorporando automaticamente as maiores taxas de rejeição, em determinadas pesquisas chegando a 50% ou metade do eleitorado. É excessivo. E quanto mais o Marconi é visto ou ouvido, mais esse índice tende a escalar, como consequência do reavivamento da memória da população a propósito dos malfeitos associados à imagem do tucano do bico quebrado.

 

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É possível que a queda dos números de Marconi Perillo nas pesquisas tenha a ver também com o estilo agressivo de campanha que adotou. Em relação a Daniel Vilela, ele tem se mostrado desrespeitoso, disparando insultos e ofensas que, na verdade, acabam impressionando mal o eleitorado e se voltando contra ele próprio. É o efeito rebote, tradicional em eleições quando um postulante, desesperado com a perspectiva de derrota, decide partir para o tudo ou nada contra o adversário. Simplesmente não funciona.

De qualquer forma, Marconi meteu-se em um beco sem saída ao se propor um desafio para o qual não estava preparado. Se tivesse juízo, teria buscado uma cadeira na Câmara dos Deputados, essa, sim, perfeitamente viável. Perder, para governador, sempre se soube que perderia, depois das derrotas para o Senado em 2018 (acachapante, ao terminar em 5º lugar) e em 2022 – derrotas das quais não se recuperou. O ponto é: se despencar para o 3º ou 4º, Marconi sairá da eleição aniquilado, sem futuro político nenhum. E é isso que está prestes a acontecer.