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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 set

Oposição imobilizada: rejeição liquida Marconi, bolsonarização restringe Wilder e Lula trava Luis Cesar

O mato sem cachorro da oposição em Goiás continua de pé: os 3 principais candidatos que antagonizam o representante da base governista Daniel Vilela (MDB) não conseguem deslanchar, cada qual marginalizado e esvaziado pelas suas próprias contradições. As pesquisas continuam mostrando Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) estagnados nas suas intenções de voto – somados os pontos de todos eles, não chegam sequer a empatar com Daniel Vilela.

 

 

Há muito pouco a fazer para ultrapassar essas dificuldades. Marconi Perillo segue esmagado pela sua estratosférica rejeição, avaliada pela Quaest em 49%. Isso significa que metade da população enxerga Marconi com maus olhos, funcionando como uma espécie de barreira intransponível para qualquer avanço nos índices que o mantêm em 2º lugar, com 19 a 24%, a depender do instituto, porém sempre 20 pontos atrás do líder isolado Daniel Vilela. Não há saída para uma situação tão difícil – e, de resto, Marconi nem tenta. Ele faz campanha ignorando a sua taxa negativa, talvez acreditando em um milagre que não vai acontecer.

 

 

O carma de Wilder Morais é outro. O senador, que tem dificuldade para se comunicar com clareza, meteu na cabeça que é representante da direita – “O único”, insiste – e parecer ter a convicção de que o segmento será suficiente para empurrar a sua candidatura para um patamar melhor que o 3º lugar hoje ocupado, a mais de 30 pontos de Daniel Vilela. Problema: a mesma pesquisa Quaest revela que, entre o eleitorado estadual de direita não bolsonarista, a maioria prefere Daniel. Pior: entre a direita bolsonarista radical, mais de 40% também declaram voto, desde já, no atual governador.

Tudo isso quer dizer que Wilder Morais só atraiu uma parte, não expressiva, dos votos dos segmentos que ele acha naturalmente vinculados à sua candidatura. Não é por acaso, aliás, que bolsonaristas tradicionais, em Goiás, acusam Wilder de oportunista do nariz empinado (uma linguagem corporal que transmite arrogância e ele, Wilder, exibe no horário gratuito no rádio e televisão) e dizem que ele não passa de um bon-vivant que pegou carona no prestígio do Jair encarcerado para se beneficiar pessoalmente. É essa visão desfavorável, dizem eles, que apareceu na pesquisa Quaest, ao revelar que em torno da metade do eleitorado de direita e da corrente bolsonarista no Estado prefere o nome de Daniel Vilela.

 

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Daí que Wilder Morais, ao centrar sua campanha nos segmentos de direita não-bolsonarista e direita bolsonarista, em meio às quais não predomina como o candidato a governador escolhido, renunciou à obrigação de universalizar a sua figura para ganhar mais adesão e acabou limitando seus votos a um campo estreito e incapaz de garantir uma boa performance nos boletins de apuração da noite do dia 4 de outubro. A estratégia é falha e não dá espaço para um crescimento que possa ser considerado minimamente competitivo.

 

 

Luís Cesar Bueno, do PT, é uma candidatura natimorta, em um Estado onde a avaliação do presidente Lula alcança 58% de ruim e péssimo e apenas 28% de bom e ótimo, o que gera um ambiente crítico para alguém que, a cada 2 frases, repete por lealdade soviética o nome do guru petista. Por ora, Luis Cesar não logrou ultrapassar 6% em qualquer pesquisa ao desenvolver uma campanha circunscrita aos convertidos e marcada por clichês que têm como único objetivo enaltecer Lula – missão impossível em uma das regiões mais conservadoras do país.

A oposição, portanto, padece sob desafios estratégicos praticamente insuperáveis: Marconi Perillo massacrado pelo fardo da rejeição, Wilder Morais inviabilizado pela decisão de se confinar ao eleitorado de direita e ao bolsonarismo e, por fim, um Luis Cesar capenga ao abrir mão de um discurso inteligente, para focar na repetição patética dos slogans publicitários da campanha de Lula. É por isso que não há sinais de que o desfecho das eleições, prognosticado a favor da reeleição do governador Daniel Vilela na totalidade dos levantamentos divulgados pelos institutos de credibilidade, corre o risco de mudar.