Crise do STF esfria a campanha em Goiás e ajuda no favoritismo de Daniel Vilela
Não se fala em outro assunto de canto a canto no Brasil. A crise do Supremo Tribunal Federal é o tema recorrente de todas as conversas e atrai 100% do interesse geral. Engloba, também, a sucessão presidencial, diante do envolvimento de Lula e de Flávio Bolsonaro com os escândalos que atingiram a mais alta Corte judiciária do país e da possibilidade de reflexos na votação final. Mas, atenção, leitoras e leitores: as eleições estaduais, exceto no que diz respeito às 2 vagas no Senado Federal, estão se dando olimpicamente à distância do mar de lama que engolfou o STF. E assim devem prosseguir.

Isso significa que, em Goiás, a disputa pelo Palácio das Esmeraldas se desenrola tranquila, sem atropelos e incrivelmente longe dos holofotes, em plano secundário no noticiário e mesmo nas redes sociais. Os 4 principais candidatos a governador – Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) – se movimentam sem atrair olhares excessivos, pouco mais do que discretamente. A campanha é morna, quase fria. E tanto é verdade que as pesquisas nunca trazem novidades, a não ser o crescimento contínuo das intenções de voto de Daniel Vilela – mais de 20 pontos à frente do 2º colocado Marconi, acima de 30 na dianteira sobre Wilder e a uma distância a perder de vista de Luis Cesar.
Daniel Vilela é quem se mexe com mais intensidade, beneficiado pela sua ampla coligação partidária e consequente maior estrutura, além da metade do tempo de propaganda no horário gratuito do rádio e da televisão. Marconi Perillo e Wilder Morais cumprem agendas esvaziadas de público e se confinam, Marconi, a um programete de 30 segundos, enquanto Wilder não passa de 1 minuto e 18 segundos, prazo insuficiente para que ambos se comuniquem com o eleitorado de forma satisfatória via palanque eletrônico. Luis Cesar leva alguma vantagem, com 2 minutos e 16 segundos, porém, travado pela obrigação soviética de exaltar Lula, não chega a lugar nenhum.
Fora daí, o imbróglio do STF absorve todas as manchetes dos jornais e sites e a maioria dos posts nas mídias sociais. Não há nenhum ponto de contato com as eleições para governador. Nada a ver, mesmo. Com a corrida pelas 2 vagas senatoriais, sim. Aqui e ali, os 11 postulantes mencionam a suprema lambança, motivados por um detalhe de importância: teoricamente, o Senado tem poderes para decretar o impeachment de ministros do tribunal e é bem possível que as eleitoras e os eleitores queiram saber, desde já, sobre a disposição de cada candidato para apoiar esse tipo de medida radical, no futuro, caso necessária.
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Eleições em clima ameno sempre favorecem o incumbente da vez, ou seja, o governador em busca da reeleição Daniel Vilela. Quanto menos barulho, mais sossegado e seguro se torna o caminho até um novo mandato. Em tese, governos são mais vulneráveis do que a oposição. Em tese. Quanto mais Daniel se preservar, mais sólida será a sua posição e é exatamente o que está ocorrendo. Enquanto, por um lado, a concorrência se fragiliza e se perde na falta de capacidade para propor alternativas de poder, por outro lado a situação nacional retira o foco de Goiás e fantasticamente funciona como um balde de água fria jogado sobre o debate eleitoral local. Uma ajuda que Daniel Vilela e a base governista não esperavam.