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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 ago

Paraná Pesquisas prova com números que Mendanha cometeu o maior erro da sua campanha ao recusar aliança com Marconi e, pior ainda, ao criticar o ex-governador

Quem deseja vencer uma campanha majoritária deveria cometer o menor número de erros e agir com inteligência para chegar a um bom desempenho nas urnas. Não é o caso do ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, que consolida a imagem de despreparado e de incapaz para articulação política evidenciada desde os primeiros passos da sua candidatura. Mendanha não acerta uma. Segundo uma das raras análises políticas bem fundamentadas publicadas em O Popular, a única bola dentro que chutou, até hoje, foi a aliança com o Republicanos – mesmo levando o partido dividido, com a maioria das suas lideranças mantendo o alinhamento com a reeleição do governador Ronaldo Caiado.

Nenhum equívoco, dentre uma vasta coleção deles, foi maior que o repúdio à aliança com o PSDB e com o ex-governador Marconi Perillo. Essa, ninguém discute, seria a saída ideal para ampliar a penetração da chapa canhestra de Mendanha, conquistando para a sua coligação um partido de porte e de longa presença em Goiás, com caixa e tempo de televisão, além de uma candidatura densa eleitoralmente falando para o Senado, como seria a do ex-governador. Certo, João Campos chegou antes, nem tanto antes, mas chegou. Sua única contribuição foi o parco tempo de propaganda eleitoral no rádio e TV, já que para esse objetivo o que critério é o tamanho da bancada do Republicanos, antigamente PR, na Câmara Federal em 2018. É ridículo: apenas 20 segundos, um pouco menos que o PSDB. Marconi sozinho valeria tudo isso.

Ainda que submetendo-se aos caprichos do presidente estadual do seu partido Jorcelino Braga, o nanico Patriota, inimigo visceral de Marconi, Mendanha poderia ter optado por uma aliança informal, ou seja: ele na sua e Marconi na dele, como candidato ao Senado isolado, na prática caminhando juntos. Marconi, no seu esforço anti-Caiado, até que tentou. O infeliz do Mendanha recusou e se desdobrou em entrevistas relembrando os desgastes do tucano, até mesmo dizendo que uma proximidade com o ex-governador destruiria o que acredita ser o seu capital nesta eleição, que é a renovação. Que me desculpem as amigas e os amigos pela adjetivação pesada, isso foi overdose de burrice.

Vejam o resultado: a turma de Marconi pulou fora de Mendanha. Um grupo, que deve crescer, liderado pelo prefeito de Minaçu Carlos Alberto Lereia, marconista fiel, passou a defender o apoio a Caiado, na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, em uma espécie de pacto híbrido, porém pragmático para os interesses dos seus municípios. Está na coluna Giro, em O Popular, nesta segunda, 8 de agosto. São 12 prefeitos. Todos horrorizados com os desacertos estratégicos de Mendanha e a maneira deseducada como tratou tanto Marconi quanto o PSDB. De resto, sobre Marconi e sua turma diga-se o que se quiser, só que nunca que se engajariam em um projeto obscurantista como sugere o bolsonarismo rasteiro a que Mendanha oportunisticamente se agarrou atrás de votos. Em meio aos seus defeitos, o tucano-mor de Goiás tem uma virtude incontestável: é um político das luzes e não da escuridão.

Para Mendanha, a confinidade com o PSDB seria ouro puro. Ele, no entanto, dispensou. E ainda pisou na cabeça de Marconi falando mal da sua pessoa. A pesquisa do instituto Paraná, divulgada nesta segunda, 8, é clara em seus dois cenários, um com o ex-governador, outro sem. Com, Caiado tem 41,9% das intenções de votos e Mendanha 22,3% (Marconi aparece com 12,1%). Sem, Caiado sobe 4,2 pontos e vai para 46,1%, suficientes para vencer no 1º turno com folga. Mendanha, coitado, absorve apenas 2,6 pontos de Marconi e vai a 24,9% – muito abaixo dos 33% históricos que a oposição sempre teve em qualquer eleição em Goiás.

Anotem aí, leitoras e leitores: até mesmo esses 2,6 pontos de Marconi que foram Mendanha serão perdidos na medida em que se disseminar a notícia do apoio dos prefeitos tucanos a Caiado e se ampliar o ressentimento dos seus eleitores contra as besteiras que o ex-prefeito soltou sobre quem poderia ser o seu principal cabo eleitoral. Se tivesse passado um zíper na boca, ele, Mendanha, estaria muito melhor.