O Popular enfim reconhece: “Segurança e finanças são legado de Caiado”
O jornal O Popular tem as suas estranhezas e maus hábitos. Um deles é uma doutrina vigente entre os profissionais da casa, segundo a qual acertos de um governo, seja qual for, não passam de obrigação e não merecem manchetes. Erros e atrapalhos, ao contrário, merecem destaque, mesmo quando pequenos. Assim, se um paciente deixa de ser bem atendido em um hospital qualquer da rede pública, é toda a Saúde que está comprometida, jamais apenas um incidente pontual. Ou, havendo um único buraco em uma rodovia, a totalidade da malha de estradas pode ser tranquilamente definida como arruinada. É isso que deve ser noticiado, não a evolução positiva de um setor ou outro das administrações.
Exagero? Para O Popular e sua indisposição dogmática com as gestões estaduais ou municipais, não. Trata-se de uma regra que a redação segue fanaticamente, arriscando, às vezes, quiçá a credibilidade de um veículo de comunicação que se autopresume como o mais importante de todos em Goiás. Foi assim que o diário da família Câmara suou sangue para desmentir os avanços incontestes da segurança pública em Goiás depois da posse do governador Ronaldo Caiado, em 2019, em especial perseguindo implacavelmente as forças policiais – sempre colocadas sob suspeitas e acusadas de arbitrárias, violentas e ineficazes. Ocorre que a drástica redução dos índices de criminalidade, ano a ano, transformou-se em uma realidade acima de qualquer suspeita, consolidada a partir de estatísticas 100% confiáveis, inclusive as de organismos independentes de acompanhamento.
De modo idêntico deu-se com o ajuste fiscal que Caiado empreendeu desde os primórdios da sua gestão. Passo a passo, as dívidas entraram em processo de redução radical, tanto com fornecedores que receberam seus créditos atrasados, quanto com o Tesouro Nacional, antigo e inescapável ônus que esvaziava o caixa dos governos antecessores, mas finalmente domado a ponto de representar hoje uma parcela perto da insignificância e incapaz de perturbar a gestão dos recursos arrecadados dos contribuintes goianos. Gastos superficiais foram cortados, estruturas enxugadas, a corrupção foi varrida do mapa e um saldo bancário permanente e sólido acabou se formando – hoje na casa dos R$ 8 bilhões de reais, em dinheiro vivo, digamos assim, guardados nas arcas da Secretaria estadual da Fazenda e prontos para garantir o enfrentamento dessa ou daquela eventualidade, se houver.
O Popular combateu duramente tudo isso, durante todo o mandato de Caiado. Finalmente, no entanto, terminou por se render, ao publicar, nesta segunda, 30 de março, uma manchete para lá de sintomática na sua 1ª página: “Caiado sai do governo e deixa marcas na segurança e na organização de contas”. (Notem, leitoras e leitores, uma pequena maldade do jornal, ao afirmar que “Caiado deixa marcas”, induzindo à interpretação de que essas marcas compreendem algo negativo, já que o verbo “marcar” inclui na sua acepção o sentido danoso de lesar, ferir ou ferrar). Na página interna, o título escolhido tem muito mais a ver com um aplauso, ao afirmar peremptoriamente que “Segurança e finanças são legado de Caiado”, aí, sim, prefigurando uma interpretação correta.

Demorou, mas o reconhecimento ao trabalho de Caiado chegou por parte de quem mais se esforçou para jogar no chão o que de melhor fez o governador cujo mandato chega ao fim nesta terça, 31, quando renunciará para desenvolver o seu projeto presidencial, agora como candidato oficializado pelo PSD. Segurança e ajuste fiscal, de fato, são vistos como os maiores sucessos a que Goiás assistiu nos últimos 7 anos e quase meio, porém seria injusto ficar somente nessas duas áreas. Caiado deslanchou também na Educação, na Saúde, nos programas sociais e ainda conseguiu aplicar um empuxo histórico na economia goiana, alcançando um crescimento retratado números que não são passíveis de contradita dada a credibilidade das instituições de pesquisas que estão por trás, como o IBGE e a Fundação Mauro Borges. Surpresa: O Popular, ainda que superficialmente, endossa essa afirmação.
O Popular, despindo-se pela primeira vez da sua tradicional arrogância editorial, calçou as sandálias da humildade e engoliu tudo o que disse antes. Concedeu a Caiado um diploma que nunca conferiu a qualquer governante do Estado ou de um município, ainda que acompanhado por frases matreiras e a sugestão, em um parágrafo ou outro, de que houve crises e dificuldades e que, em aqui e ali, as coisas poderiam ter sido melhor resolvidas. Pena que a repercussão não será tão grande, diante dos estreitos limites que hoje cercam a penetração não só de O Popular, mas de todos os jornais brasileiros, que praticamente deixaram de existir em papel e sobrevivem na internet penando sob a concorrência das redes sociais. Não há dúvidas, no entanto, de que obter a aclamação tardia do principal jornal do Estado é mais uma façanha de Caiado.