A 6 meses da eleição, oposição (que tem a obrigação de abrir o debate) não se mexe em Goiás
Rezam as regras da boa política que, em período eleitoral, compete à oposição o dever e a obrigação de abrir o debate sucessório, em especial formulando propostas, apresentando ideias e desenhando para a população um projeto alternativo de poder. E, lembrando às leitoras e aos leitores, que estamos a apenas 6 meses da data das urnas, quando será consagrado o novo governador de Goiás.

É intrigante: os candidatos que pretendem antagonizar Daniel Vilela, o representante da chamada base aliada, andam desaparecidos. Cadê o ex-governador Marconi Perillo? E o senador Wilder Morais? Pela esquerda, nem se sabe ainda qual será o nome a ser lançado. Há um vazio imenso a ser preenchido por eles, mas, ao contrário, o que passam ao sumir da mídia é uma imagem de desânimo e desorientação.
Daniel Vilela é o favorito. Tudo conspira a seu favor. A bênção do ex-governador Ronaldo Caiado é a sua principal arma. Internamente, Caiado ostenta uma aprovação popular de 88% ou, fantasticamente, 9 em cada 10 goianas e goianos. No cenário nacional, acaba de conquistar com brilho a condição de postulante à presidência da República pelo PSD, um dos maiores partidos em operação no país. Exercerá, ninguém duvida, uma influência notável sobre o resultado da votação decisiva marcada para outubro.
A base governista, portanto, está aparelhada e pronta para vencer, com seu notável leque de partidos, deputados, prefeitos, lideranças espalhadas por todo o Estado e a visibilidade naturalmente atribuída ao seu candidato – já que, elevando ainda mais o seu cacife, Daniel Vilela assumiu o governo e daí se fortaleceu exponencialmente como o concorrente com maiores chances de vitória.
Estranhamente, a oposição não reage a nada disso. No máximo, posts ufanistas nas redes sociais, com pouca repercussão diante da constatação de que tanto Marconi Perillo como Wilder Morais contam com um baixo número de seguidores. Wilder filiou ao PL a filha de Iris Rezende, Ana Paula, em uma reunião a que compareceram apenas 2 deputados e 12 prefeitos. Marconi arrastou para o PSDB a viúva de Maguito Vilela, Flávia Teles, sob o resumido testemunho de 2 prefeitos e 2 deputados. Ambas, Ana Paula e Flávia, não levaram nem os próprios familiares para os seus respectivos eventos, quanto mais gente graúda da política. Um fiasco.
Mas, mesmo sem força para aglutinar suporte político e correligionários, Marconi e Wilder poderiam ocupar espaço formulando teses, proposições e visões de futuro para Goiás, por que não? Isso dignificaria e daria substância para as suas candidaturas. Qual o quê? Eles não abrem a boca, enquanto Daniel Vilela navega olimpicamente como o único governadoriável com plataforma definida. Isso mesmo: a continuidade ou manutenção dos avanços que Caiado trouxe para o Estado, com a amplificação da atenção às áreas onde aconteceram as grandes realizações – Segurança, Saúde, Educação e Programas Sociais, por exemplo. O programa de Daniel é automático na medida em que decorre da sua condição de representante da base governista e sucessor escolhido por Caiado.
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Marconi, Wilder e o por ora desconhecido pretendente a ser nominado pela esquerda estadual precisam começar logo a dizer o que pensam e o que fariam caso eleitos. E não superficialmente, porém com base em dados concretos, diagnósticos, expectativas e coordenação com os interesses de todos os segmentos sociais do Estado, para fugir da mera e ordinária sede de poder. Afinal, o desafio de governar Goiás inclui uma nobreza intrínseca: as forças políticas que buscam alcançar um posto-chave como esse têm o compromisso de demonstrar, por meio de atos concretos, a começar por um projeto bem-acabado de gestão, a sua capacidade para abrir um ciclo de desenvolvimento econômico e social melhor que o atualmente em curso.
Que oposição é essa? Por que Marconi, Wilder e a esquerda preferem marchar calados em vez de sugerir caminhos diferentes para o governo estadual – se é que existem e eles, sim, é que carregam a responsabilidade moral de mostrar que existem? A resposta é… um silêncio vexaminoso, a 180 dias das eleições, quando já caberia a discussão sobre planos para os próximos 4 anos. Pior: sem deixar claro o que oferecem para a universalidade do Estado, ficarão limitados aos seus guetos de apoio. Insuficientes, na verdade, para criar qualquer possibilidade de chegar a um desfecho satisfatório ou sequer minimamente garantir uma contribuição como líderes qualificados que deveriam ser.