Não-campanha de Wilder é estratégia suicida
As leitoras e os leitores devem ter reparado: o senador Wilder Morais, mesmo candidato a governador pelo PL, anda desaparecido. Faz postagens nas redes sociais, vazias de conteúdo, e só. Não fala nada: nem sobre projetos para o futuro de Goiás nem sobre as grandes questões do momento no país e no Estado e muito menos sobre os adversários – os quais no mínimo, poderia criticar de vez em quando, papel de qualquer postulante a um cargo executivo. Tudo isso é muito estranho.

A menos de 160 dias das eleições, Wilder não se comporta como esperado de um político que ainda não construiu uma marca e, pior ainda, é pouco conhecido do eleitorado. No mínimo, ele está perdendo um tempo precioso, não só para si próprio: seus poucos aliados e os candidatos proporcionais do PL reclamam de uma paralisia prejudicial a todos, em se levando em conta, adicionalmente, que o senador vem pontuando baixo nas pesquisas de intenção de votos (na faixa entre 10 e 12%, atrás de Daniel Vilela (MDB), o líder, e Marconi Perillo (PSD, em 2º lugar).
Ninguém entende. Dias atrás, em notinhas plantadas na coluna Giro, de O Popular, Wilder arriscou se explicar: a sua não-campanha, digamos assim, decorre da confiança em um suposto “poder de chegada” do bolsonarismo em Goiás. Detalhando, em 2022 ele se elegeu para o Senado depois de passar a campanha oscilando entre o 2º e o 3º lugares, mas decolando nos últimos dias antes das urnas para ultrapassar os concorrentes e arrematar o mandato que hoje cumpre com um desempenho para lá de apagado. A partir daí, passou a acreditar na certeza de que é na última hora que o eleitor decide e por isso é esse o caminho que resolveu seguir como candidato a governador.
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Se o plano é se omitir, evitar qualquer debate e aguardar uma virada milagrosa na reta final e se essa de fato é a escolha de Wilder, vale atentar: sobram problemas. E sérios. Um candidato fraco necessita de prazo para reverter o carma negativo e melhorar a sua percepção pelo público votante. E o que concluir a respeito de um incapaz de entoar um discurso minimamente conectado com os interesses de Goiás, sem ideias ou propostas de amplitude coletiva e, o que é grave, dia e noite deixa claro que vai para a eleição confiando apenas na militância bolsonarista estadual, nada mais? A resposta quem dá é um suposto correligionário de Wilder, que não se identificou ao declarar para a coluna Giro: “Ele deveria ao menos entrar no debate sobre o Estado, apontando deficiências e mostrando ter personalidade e atributos para além do bolsonarismo”.
Disse tudo. De resto, Wilder é um bolsonarista de ocasião, um oportunista que nunca defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro no Senado e sempre procurou se equilibrar em cima do muro nas votações de interesse do governo Lula, algo que o próprio Bolsonaro notou e criticou. E a eleição, agora, é para governador, com um grau muito maior de exigência do que uma disputa senatorial. Na prática, Wilder está ignorando uma lição bem óbvia do experiente sociólogo e marqueteiro Antônio Lavareda, em uma entrevista em que avisa que “a campanha é capaz de reorganizar preferências, influenciar percepções e alterar cenários de forma significativa”. Este blog acrescenta: muito mais no caso da oposição. Logo, a opção de Wilder é simplesmente suicida, apesar de coerente com a sua ostensiva falta de tutano.