Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 abr

Cotação de Zé Mário Schreiner para vice de Daniel dispara com o “aval” de Gracinha

Uma declaração surpreendente da ex-primeira-dama e candidata ao Senado pela base governista Gracinha Caiado, apontando o ex-deputado federal e líder do agro José Mário Schreiner como o nome o nome ideal para a vaga de vice na chapa de Daniel Vilela, passou a impressão de que já houve uma decisão sobre o assunto. Embora adiada para meados do ano, tanto pelo ex-governador Ronaldo Caiado como pelo governador Daniel Vilela, a escolha, diante dos detalhes e da força do que Gracinha disse sobre Zé Mário, parece resolvida.

“Todo mundo sabe da admiração e da capacidade que, não só Ronaldo, como eu, temos, por Zé Mário. Não tenho dúvidas que Zé Mário, como vice-governador, seria o melhor nome para Goiás pelo trabalho que ele fez em todo o setor rural, pelo trabalho que ele tem feito de Educação, de qualificação profissional, dentro da FAEG. Conheço o trabalho de Zé Mário de perto. Falar de Zé Mário aqui é bobagem. Então, você pode ter certeza, Zé. Se depender de mim…”, resumiu Gracinha. Precisa mais? Se precisar, confiram, leitoras e leitores, a foto a seguir, captada durante um evento em Goiânia, na semana passada, quando 100 sindicatos rurais se reuniram para manifestar apoio a Zé Mário.

 

 

Uma imagem ocupa o lugar de mil palavras. E essa é esmagadora. Hoje, fora Zé Mário, só existe um concorrente para a vice de Daniel Vilela – o ex-secretário-geral da Governadoria Adriano Rocha Lima. Mas Adriano, que nunca foi da política e não exibe o molejo de cintura necessário para o ramo, como se viu na extensa entrevista ao Jornal Opção (leiam aqui), quando desperdiçou uma chance de ouro para se afirmar como uma alternativa real, gastando o farto espaço que ganhou com autoelogios, ataques rasteiros à oposição e completa ausência de argumentos de peso para defender as realizações de Caiado durante os seus dois mandatos. Não usou números, não fez comparações e não desenvolveu teses convincentes, preterindo cobrar reconhecimento e retribuição automática por parte do eleitorado – algo arriscado demais para substituir a merecida avaliação crítica positiva que a gestão mais bem aprovada da história de Goiás recebeu da população.

 

LEIA TAMBÉM

Vice de Daniel Vilela é prerrogativa de Caiado; Zé Mário Schnreiner está em vantagem

Daniel Vilela é favorito para 2026 e não poderá disputar a reeleição: vaga de vice na sua chapa vale ouro

Desafio de vice é se posicionar nem com força nem com fraqueza e, sim, no ponto de equilíbrio certo

 

Adriano Rocha Lima posta-se preguiçosamente como alguém à espera de ser “nomeado” vice-governador, só. Zé Mário faz o contrário. Mostra energia ao angariar apoios, como o de Gracinha Caiado, e comparecer todo dia a manifestações em que recebe aplausos e o respeito de políticos e da sua ampla base identificada com mais de 40% do PIB estadual (juntando-se a indústria de transformação alimentícia). Alguém que, de fato, agrega para o Estado. Eleitoralmente, para Daniel Vilela, nem se fala. Primeiro, pela representatividade classista. Segundo, pelo contraponto da maturidade com a juventude. Por último, em meio a um rodário de variáveis, pelo senso de responsabilidade e confiabilidade intrínsecas, lembrando que, caso oficializado, já sairia pré-indicado como candidato a governador em 2030 se Daniel for eleito agora, porque assumiria um 2º mandato e não poderia disputar a reeleição.

Não há mais ninguém com cacife suficiente para a vice de Daniel Vilela. Bruno Peixoto, o presidente da Assembleia Legislativa? Jamais. Bruno “mancharia” a chapa ao incorporar à campanha da base governista a lambança descarada como chefe do Poder Legislativo, onde um rio caudaloso de dinheiro público desaparece mensalmente ao financiar privilégios escabrosos para os deputados e a maior folha de comissionados do Brasil. E o ex-senador Luiz Carlos do Carmo? Também não. Sua única credencial é religiosa, elemento que, em eleições governamentais em Goiás, nunca foi levado em consideração e não acrescenta méritos à chapa. Por último, o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, desgastado pelas contínuas mudanças de partido e ainda hoje contaminado pelos efeitos danosos do infeliz rompimento com Caiado e Daniel para se candidatar a governador, em 2022, e perder. Esse não vai mesmo.

Sobram, para valer, Zé Mário e Adriano Rocha Lima. Comparados, difícil esconder o lado para o qual pende a balança. É gritante a diferença a favor de Zé Mário. Tem o perfil ideal, um histórico de lealdade, soma votos, sabe transitar na política, o discurso é consistente, a biografia, limpa. Longe de ser um burocrata, esbanja experiência como produtor e empresário. Indo além, tudo por tudo, paira uma sensação no ar, a de que a hora é dele. Foi isso que as palavras de Gracinha Caiado transmitiram e é por isso que as coisas caminham para a chapa Daniel-Zé Mário.