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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 abr

Discurso de volta ao passado enterrou Iris e vai fulminar Marconi

 

Ainda há tempo para que o ex-governador Marconi Perillo desista da sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas para fazer o que deveria ter feito nas duas últimas eleições: disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, algo de resultado seguro que ele trocou pelas derrotas sucessivas ao Senado. Marconi está isolado política e partidariamente, não consegue nem mesmo montar uma chapa de peso pela ausência de nomes qualificados para a vice e para as senatórias e enfrenta uma taxa de rejeição exageradamente elevada. De resto, entoa um discurso totalmente inadequado para tentar contornar essa situação de fragilidade.

Aécio Neves, o tucano de Minas Gerais, levou um tombo parecido, desgastado por escândalos de corrupção, porém reagiu com inteligência (e humildade). Em 2018, buscou um mandato de deputado federal e ganhou. Em 2022, idem e venceu de novo, mantendo o pescoço acima da linha d’água da sobrevivência. Hoje relativamente bem recuperado, aparece na 2ª posição nas pesquisas para o Senado. Marconi, picado pela mosca azul da vaidade, arriscou-se perigosamente em eleições majoritárias, quando, tal qual Aécio, poderia ter se renovado como deputado federal e hoje, descontaminado, quem sabe em condições de, aí sim, novamente enfrentar um páreo majoritário, seja para o Senado, seja para o governo estadual.

De erro em erro, está em curso mais um. O 2º lugar nas pesquisas é enganoso. Revela, apenas, se tratar de alguém muito conhecido pelo eleitorado, o que, aliás, também se reflete com clareza em uma rejeição cavalar, segundo as pesquisas na altura dos 40%. Wilder Morais (PL), no momento em 3º lugar, conta com um recurso que Marconi não tem, ou seja, um exército reserva formado pelo público bolsonarista, que, embora em certa parte atraído pela candidatura de Daniel Vilela (MDB), reúne forças para impulsionar o senador até a faixa dos 15 a 20%. Tirando votos de quem? Óbvio: de Marconi.

 

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Goiás não escolhe governadores aleatoriamente. Nos seus momentos específicos, todos eles representaram anseios coletivos, basicamente expectativa de vida melhor, mais oportunidades e conforto social (e ultimamente segurança). É daí que se formou o favoritismo de Daniel Vilela, como continuidade garantida para a gestão muito bem aprovada do ex-governador Ronaldo Caiado. O que foi bem seguirá bem, é o plano de governo automático de Daniel, com o endosso de Caiado. Marconi propõe uma mudança. Mas quem quer mudar, leitoras e leitores? Os níveis alcançados na Segurança, Educação, Saúde, Programas Sociais e Desenvolvimento Econômico são satisfatórios. As políticas públicas, adequadas. Não é esse blog que afirma. São as pesquisas que atestam. É por tudo isso que o escopo das urnas deste ano, sem dúvida nenhuma, será a continuidade.

Marconi, como alternativa a Daniel Vilela, apresenta o seu “legado”, ou seja, o conjunto de realizações dos seus 4 governos, concluídos há anos e anos. Uma espécie de retorno ao passado distante. Uma “continuidade” distorcida. Vai ser difícil achar interessados nesse retrocesso entre as goianas e os goianos. Eleições são sobre o futuro, sobre o quem vem por aí e não sobre o que já foi. Dias atrás, Marconi foi a Ceres para uma reunião na Câmara Municipal e repetiu o discurso no qual aposta todas as fichas: o da defesa cega do seu “legado”. Lembrou Vapt Vupts, estações de tratamento de esgoto, Renda Cidadã, programas como o Fomentar e mais isso e aquilo. Não citou um projeto, uma proposta, uma ideia diferente. Deveria olhar para o exemplo de Iris Rezende, que perdeu para ele em 2018 proclamando ter construído tudo que havia em Goiás, enquanto ele, Marconi, sem nunca ter administrado um carrinho de pipoca, acenava com um “tempo novo”. É uma lição que Marconi recusa-se a aprender.