Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 abr

Série de manchetes negativas de O Popular inviabilizou Bruno Peixoto para vice de Daniel

Uma série de mais de 30 manchetes negativas na 1ª página de O Popular, todas mostrando a situação de descalabro administrativo da Assembleia Legislativa, inviabilizou a indicação do presidente da Casa, Bruno Peixoto, para ocupar a vaga de vice na chapa da reeleição do governador Daniel Vilela. (Se a leitora ou o leitor são assinantes de O Popular, leiam a última reportagem aqui).

 

 

 

Em condições normais, sem o pesado desgaste irremediavelmente agregado à sua imagem, Bruno Peixoto seria o nome ideal para a vaga. Como é jovem, ajudaria a consolidar o movimento de renovação geracional que a eleição de Daniel traria para o poder em Goiás. Além disso, tem o apoio de mais de 35 dos 41 deputados estaduais, uma ampla estrutura municipalista e está com o campo preparado para se tornar o deputado federal mais votado de todos os tempos.

Com tudo isso, ou seja, um leque de trunfos que nenhum outro político ostenta no momento no Estado, por que Bruno Peixoto não é cogitado sequer de longe para se integrar à chapa governista, junto com Daniel? Da mesma forma, por que não foi levado a sério como possível candidato a prefeito de Goiânia, em 2024, quando pontuava bem nas pesquisas, desenvolvia um trabalho de mobilização nos bairros e aglutinava a maioria dos vereadores, sendo preterido a favor de Sandro Mabel?

Em ambas as ocasiões, o motivo é o mesmo: a lambança que ele promoveu na Assembleia, foco das mais de 30 chamadas altamente desabonadoras na 1ª página em O Popular – no conjunto denunciando o maior contingente de funcionários comissionados dentre todas as Assembleias brasileiras, um festival de penduricalhos, mordomias e benesses financeiras para os 41 parlamentares, criação de mais de 250 diretorias e cargos com salários milionários, viagens internacionais (até mesmo à Disney, na Flórida) custeadas com dinheiro público e, cereja podre desse bolo fétido, uma SUV preta de R$ 450 mil para cada deputado, sem identificação, o que significa que podem ser usadas à vontade.

 

LEIA TAMBÉM

A medíocre Assembleia sem virtudes de Bruno Peixoto

Bruno Peixoto não será vice na chapa de Daniel Vilela nem que a vaca tussa: entenda por quê

Nilson Gomes acertou: a Assembleia Legislativa está atolada na lambança

 

Nunca houve nada de tão escandaloso na história do Poder Legislativo em Goiás, repleta, a propósito, de irregularidades gritantes. Mas, diante dos recordes da gestão de Bruno Peixoto, jamais. E é aí que vem a explicação para o apoio maciço que recebe dos colegas e para a sua iminente consagração como o deputado federal campeão de votos em outubro: não há nada de liderança espontânea ou honradamente natural no crescimento político do presidente da Assembleia, porém apenas e exclusivamente os frutos de uma barganha financiada pelos recursos que o Tesouro Estadual transfere para os cofres do nababesco prédio do alto do Park Lozandes.

 

 

Bruno Peixoto reduziu a importância institucional do Legislativo estadual a pó de traque. Tanto que, hoje, a principal missão do novo presidente do Poder, a ser escolhido entre os parlamentares eleitos em outubro, visará irrevogavelmente a recuperação da dignidade da Casa e a seriedade do trabalho dos seus deputados. É por isso, também, que ele, Bruno, pagou o preço de ser recusado pela base governista como candidato a prefeito de Goiânia e paga de novo, centuplicado, ao receber o veto unânime ao seu nome como vice de Daniel Vilela, já que conspurcaria uma chapa cujo titular apresenta biografia limpa, trajetória de respeito na política e perfil ético apurado. Bruno seria uma mancha capaz até de comprometer as chances de êxito nas urnas.