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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 jun

Desarticulado, sem discurso e isolado: candidatura de Wilder virou erro que vai custar caro ao PL

 

A candidatura do senador Wilder Morais a governador, estagnada nas pesquisas desde a sua oficialização, assume cada vez mais o formato de aventura irresponsável. Falta tudo: discurso, articulação, apoio de lideranças de peso, um partido unido, legendas aliadas, territorialidade (base nos municípios) e estrutura para correr atrás dos votos. Não só o senador, como alguns dos seus poucos parceiros, como o vereador goianiense Oséias Varão, interessado em se candidatar ao Senado ao lado de Wilder, argumentam que o ambiente social e político com vistas às eleições de outubro é frio, por enquanto, e que, oportunamente, a base ideológica que supostamente sustenta a chapa (o bolsonarismo) arrancará e garantirá o crescimento na reta final até a vitória no dia da votação.

Sim, leitoras e leitores, esse raciocínio parece coisa de cérebro de passarinho. Não é assim que se enfrenta, com chances mínimas, uma eleição majoritária estadual como a que se avizinha. Mais ainda, pela oposição. Ora, alguém dirá, em 2022 Wilder Morais se elegeu para o Senado depois de passar a campanha em brancas nuvens, beneficiando-se de um surto bolsonarista que tomou conta do eleitorado não só em Goiás, mas pelo país afora. A ideia, como se vê nas previsões de Varão, é que o mesmo fenômeno volte a acontecer agora.

É muita ingenuidade, no entanto. O cenário eleitoral para este ano está ancorado na reeleição do governador Daniel Vilela, turbinado por uma miríade de fatores positivos: uma espetacular frente partidária, palanque lotado de lideranças de expressão, maioria esmagadora de prefeitos (mais de 200), candidato jovem (simbolizando uma renovação geracional do poder em Goiás) e, o elemento de maior destaque, a preferência do ex-governador Ronaldo Caiado (segundo as pesquisas, 74% do eleitorado acreditam que ele merece ver um sucessor de confiança na cadeira que ocupou por mais de 7 anos). Face a isso tudo, o que Wilder representa? O que tem a oferecer? Alguém conhece as suas ideias para o futuro das goianas e dos goianos, se é que as tem?

 

 

Problemas, o candidato do PL acumula uma lista infinita. Parte do PL, liderada pelo deputado federal Gustavo Gayer, queria acordo com a base governista, com a inclusão do próprio Gayer na chapa de Daniel Vilela como candidato a senador, ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado – uma jogada que teria o condão de definir por antecipação a eleição de Daniel, Gracinha e Gayer. Ao atrapalhar e inviabilizar essa manobra, Wilder colocou Gayer em risco, privou os candidatos a deputado do PL (estadual e federal) das vantagens de uma campanha poderosa e se permitiu entrar em um vácuo político e eleitoral, empurrando os últimos prefeitos do partido para o colo do Palácio das Esmeraldas (o partido conquistou 26, em 2024, um número já baixo, hoje reduzido a menos de 10 e em queda).

 

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Tentar, Wilder Morais tentou. Desde dezembro, ele intentou um projeto de reuniões políticas regionais batizado de Rota 22, em alusão aos algarismos do PL nas urnas. Deu em nada. É o jornal O Popular que afirma, em balanço publicado nesta semana: “Os encontros do Rota 22 foram encerrados em maio com baixa participação de eleitores e lideranças na maior parte das edições”. Gustavo Gayer, a maior liderança popular, digamos assim, do PL, só compareceu a um dos eventos. Se foi imaginado para criar algum recheio popular para Wilder, o resultado acabou em homérica frustração. Deu-se o contrário. Comprovou-se que o senador não tem ressonância em parte alguma do Estado.

Nada na candidatura a governador de Wilder Morais faz sentido. A menos que ele esteja tentando reinventar a roda. Eleições vitoriosas decorrem de respaldo político, adesão social a partir de ideias e propostas, movimentação para atrair atenção e sobretudo demonstração de competência e preparo do postulante. Não há nada disso à vista no barco à deriva do PL em Goiás. O partido, que é grande nacionalmente falando, foi estadualmente transformado em nanico, sem qualquer organicidade e – a propósito – sem sequer contato com a suposta faixa bolsonarista que Wilder Morais diz representar – porém em um nível tão baixo e rasteiro, sem conteúdo, que parcela expressiva declara voto em Daniel Vilela, segundo as pesquisas. É sinal claro de que vem aí um desastre nas urnas.