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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 jun

Gayer contempla a derrota, entra em modo desespero e vai parar no hospital

O Gustavo Gayer candidato a senador tornou-se bem diferente do Gayer deputado federal, esse um vencedor com espetaculares 200 mil votos nas urnas de 2022. Agora, enfrentando precocemente uma eleição majoritária, o maior dos bolsonaristas radicais de Goiás foi tomado pela preocupação, mudou o comportamento (até passou a atender a imprensa, educadamente), faz acenos à moderação e somatizou o medo de perder a corrida senatorial ao baixar ao hospital por duas vezes em poucos dias, acometido por uma obstrução intestinal que acabou no centro cirúrgico.

 

 

Hoje, Gustavo Gayer é mais candidato a perder do que a ganhar. A quebra do acordo entre o PL e a base aliada desmanchou um cenário de sonhos, em que ele praticamente garantiria a 2ª vaga disponível ao figurar ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado na chapa do governador Daniel Vilela, beneficiando-se da poderosa capacidade de mobilização eleitoral liderada pelo Palácio das Esmeraldas e assim rompendo a bolha bolsonarista. Depois de bater em 20%, por aí, nas pesquisas, o novo cenário, após a candidatura destrambelhada do senador Wilder Morais ao governo estadual, trouxe mudanças significativas: no espaço aberto pela frustração da composição com o PL, surgiram mais 3 candidatos senatoriais ao lado de Daniel (Zacharias Calil, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha, fora Alexandre Baldy, que não é postulante para valer e apenas aguarda ser indicado como 1º suplente de Gracinha), dos quais Zacharias e Vanderlan emparelhados com Gayer na caça às intenções de votos, todos, inclusive Gayer, na faixa dos 9 a 12% (isso enquanto se aguardam novas pesquisas para que se conheça a pontuação de Mendanha, último a se lançar).

 

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Pendurado na esvaziada e anorética aventura eleitoral de Wilder Morais, Gustavo Gayer perdeu da noite para o dia as expectativas de vitória para se converter em um concorrente a mais, puxado para trás pela ausência de qualquer pré-campanha por conta do PL. Wilder, como se sabe, é um candidato a governador omisso, sem iniciativa, desarticulado e totalmente incapaz de qualquer movimentação à altura de atrair atenções – e sufrágios. O azarado Gayer foi tragado para um vácuo. Arrisca-se a um desempenho confinado aos votos do eleitorado de extrema-direita, insuficientes para fazer um senador, com o agravante de que, dentro desse segmento, a propósito, Zacharias Calil também procede a uma boa colheita.

Acuado por investigações da Polícia Federal sobre malfeitos com emendas orçamentárias, coisa capaz de tirar o sono de qualquer político, Gustavo Gayer parece ter entrado em modo desespero. No seu campo de trabalho por excelência, as redes sociais, mostra-se sem brilho e sem criatividade. Repete fórmulas batidas e desgastadas, impressionando cada vez menos seus mais de 3 milhões de seguidores. Detalhe perigoso: em sua maioria, gente de todos os cantos do Brasil, que obviamente não vota em Goiás. Grave. Ou gravíssimo. Mais um sinal de que está se formando a tempestade perfeita, pronta para despachar Gayer para planície quando outubro vier.

Favoritismo, nas eleições para o Senado, só o de Gracinha para a 1ª vaga. Ela é tão forte que deverá espraiar sua influência sobre os candidatos da base governista, em especial privilegiando Zacharias Calil, que consegue o milagre de atrair as simpatias de um extremo ao outro do espectro ideológico, mais intensamente ainda do campo que vai do centro democrático à direita inflexível. Zacharias é cotadíssimo para abiscoitar a 2ª vaga, antes “reservada” para Gayer. Tudo mudou. Metaforicamente falando, não é à toa que ele foi parar no hospital.