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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 jul

Único resultado da pressão de Lula por candidatura “competitiva” é o sacrifício de Adriana e Aava

O presidente Lula e o alto comando do PT em Brasília estão pressionando a deputada federal Adriana Accorsi e a vereadora Aava Santiago para que se apresentem como candidatas a governadora e a senadora, respectivamente. Fez isso depois que o partido escolheu oficialmente o ex-deputado Luis Cesar Bueno, um dedicado e fiel servidor subalterno petista por décadas que está sendo humilhado em praça pública, sob a suposição de que seria fraco, sem condições de sustentar a campanha da reeleição de Lula em Goiás, sendo obrigatória a sua substituição por uma chapa “competitiva”. Ocorre que Adriana e Aava preferem correr atrás de mandatos na Câmara Federal, Adriana, o segundo, e Aava, o primeiro. Obrigá-las a desistir desse objetivo que escolheram por livre vontade chega a ser quase desumano.

 

 

Esse é o PT, leitoras e leitores: como sempre arrogante, impondo decisões arbitrárias que só terão como consequência prática um corte abrupto na promissora trajetória parlamentar de Adriana Accorsi e, da mesma forma, de Aava Santiago – quadros qualificados que, em qualquer legenda, deveriam merecer respeito e consideração. Ambas querem disputar cadeiras na Câmara dos Deputados, Adriana com certeza de recondução e Aava com enormes chances. Mas, não, Lula e o PT não querem, exigindo o sacrifício das duas no altar das vaidades e dos interesses pessoais e políticos de um presidente decrépito, com a cabeça no passado e sem sintonia com o mundo real, mas ainda a única chance de sobrevivência do poder petista por novos 4 anos, para a infelicidade do Brasil. De resto, nem eleitoralmente “competitivas” para valer, elas são, como se verá nos próximos parágrafos.

 

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Segundo o mantra petista, reeleger Lula é mais importante que qualquer outra situação dentro do PT, inclusive a preservação da carreira de duas mulheres aguerridas e portadoras de um simbolismo institucional raro em Goiás e no Brasil: a autêntica representação feminina, em oposição ao machismo e à misoginia da política estadual e brasileira. Essa prioridade para a campanha do presidente é uma aberração. Para Goiás, Lula lá ou fora de lá não faz grande diferença. Mas Adriana Accorsi e Aava Santiago na Câmara Federal, sim. Mais grave: o sacrifício que o PT e seu guru supremo estão exigindo dela é simplesmente inútil. Seja Adriana a candidata a governadora seja Luis Cesar Bueno seja Aava Santiago lançada para o Senado, nenhuma dessas candidaturas é “competitiva”. Nem de longe. É derrota certa, em um Estado de motivações conservadoras históricas, que nunca – NUNCA – atribuiu qualquer votação sequer minimamente significativa a nomes de esquerda em pleitos majoritários.

O pior em tudo isso é que nem Adriana nem Aava nem Luis Cesar são “competitivos”. É verdade que Adriana tem potencial para chegar a 10% ou um pouco além, cenário que, no entanto, não altera a sua inescapável perspectiva de insucesso na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Aava, para o Senado, é uma impossibilidade gritante. Metendo-se em uma aventura, uma e outra estarão se condenando a 4 anos de planície, sem mandato, talvez destinatárias de migalhas (cargos sem destaque) caso Lula venha a ser reeleito – para o quê não contará jamais com os votos das goianas e dos goianos. Em Goiás, o matusalém nunca venceu uma eleição, a não ser a de 2002 e lá se vão 24 anos. Na última, em 2022, tomou uma surra de Jair Bolsonaro, na base de 3 votos por 1. Não existe “palanque forte” capaz de reverter essa tendência. Eis aí um problema particular de Lula e é ele que deveria enfrentá-lo, sem martirizar Adriana e Aava. Luis Cesar, tudo bem, ele já era e continuará sendo carta fora do baralho.