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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 jun

Cenário eleitoral em Goiás está 99% definido e aponta para Daniel Vilela no 1º turno

Com a oficialização do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como a cara do PT na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, o cenário eleitoral em Goiás chegou a 99% de definição – 99% porque ainda existe um fiapo de possibilidade de substituição de Luis Cesar pela deputada federal Adriana Accorsi, hipótese hoje muito, mas muito distante da realidade. Mais ainda porque, de certa forma, a candidatura petista até que “pegou”: Luis Cesar vem mostrando desempenho acima de 5% nas pesquisas, o que é suficiente para a consolidação do seu nome, já que esse índice está próximo do patamar histórico do PT no Estado.

 

 

Estão escalados para as urnas de 4 de outubro vindouro: o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL), o petista Luís Cesar e o vereador Telêmaco Brandão (Novo). Hoje, parece improvável qualquer nova hipótese além desse quadro formado por 5 postulantes. Aqui e ali, ainda se especula sobre uma eventual desistência de Wilder Morais, diante da sua falta de movimentação, embora com menos força do que no passado, já que Wilder não terá nada a perder em caso de uma derrota (pela frente serão mais 4 anos no Senado) e algo a ganhar em termos de popularização do seu nome.

 

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Segundo as pesquisas, Daniel Vilela segue como o favorito, com uma constatação: sem Adriana Accorsi, que alcançava mais do que o dobro de Luis Cesar, o filho e herdeiro de Maguito Vilela conta com a chance real de triunfar logo no 1º turno. A taxa de desconhecimento do seu nome, entre 30 e 40%, indica um vasto espaço para crescer nas intenções de voto, em especial quando se combina esse número com o reconhecimento da população (74%) de que o ex-governador Ronaldo Caiado merece um eleger o seu sucessor. Pelo sim, pelo não, Daniel já bate 43% na maioria dos levantamentos (considerados aqui somente os produzidos por institutos de credibilidade indiscutível). Caso somados os pontos de Marconi, Wilder, Luis Cesar e Telêmaco, o representante da base governista exibe uma folga próxima de 8% – suficiente para liquidar a fatura no 1º turno além de 50% mais 1 dos votos.

Essa conjunção de vantagens reunidas em torno de Daniel Vilela pode até ser a responsável por uma das campanhas mais mornas da história de Goiás para o governo do Estado. Fria, mesmo. O governador em busca da reeleição é quem mais aparece, beneficiando-se legalmente da visibilidade automática decorrente do cargo. Marconi Perillo que corre atrás, porém sem público para a sua agenda já mínima. Wilder simplesmente não é visto. Luís Cesar ainda não começou, mas, começando, estará limitado pela escassa penetração do PT em um dos Estados mais conservadores do Brasil. E Telêmaco Brandão não existe.

Tudo isso concorre para um processo eleitoral sem sobressaltos ou reviravoltas. Não há base fática para sustentar a previsão de qualquer novidade, nem mesmo a esperança dos raros aliados de Wilder Morais no sentido de que, na reta final, o bolsonarismo se levantará e gloriosamente empurrará o senador para o pódio do vencedor. Essa é uma lenda urbana da política, não só em Goiás, resultado da megalomania dos apaixonados pelo Jair encarcerado – ainda resiliente, porém cada vez mais fraco e incapaz de definir uma eleição majoritária no Estado.