Expectativa de derrota leva o PT a escolher Luis Cesar Bueno para concorrer ao governo
Em um Estado historicamente conservador como Goiás, onde, em eleições recentes, o candidato a presidente Jair Bolsonaro venceu o PT (Fernando Haddad em 29028 e Lula em 2022) na base de 3 votos por 1, qual seria o projeto da esquerda para enfrentar as eleições de outubro próximo? A resposta é fácil: preservar seus mais qualificados quadros, como Adriana Accorsi, Rubens Otoni e Edward Madureira, lançando-os para a Câmara Federal, e apresentar para o governo do Estado alguém com as melhores condições possíveis, porém sem chances de chegar a um desempenho sequer razoável, mas capaz de manter as aparências e fingir que, sim, os petistas estão no páreo para o Palácio das Esmeraldas – atendendo ao chavão de fornecer um palanque mínimo em Goiás para a reeleição de Lula.

Ou seja: como a expectativa é de uma nova derrota, o PT nesta semana escolheu o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno para representar o partido no confronto com o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL). Na teoria, trata-se de um bom nome, o mais graduado da esquerda goiana depois de afastadas as estrelas do 1º time, todas interessadas na sua própria sobrevivência eleitoral e não em sacrifícios para beneficiar Lula. Luís Cesar vereador por 2 mandatos e marcou presença na Assembleia Legislativa por 16 anos. Tem bagagem universitária (História e Ciências Sociais). Sabe falar. Detalhe que importa: é um exímio debatedor, o que garante alguma animação para os futuros confrontos com os demais candidatos nas redes de TV.
O problema é a falta de densidade eleitoral. Em outras palavras, Luis Cesar, mesmo com a sua longa militância legislativa, não adquiriu o chamado perfil majoritário, que é a capacidade para atrair votos em eleições não-proporcionais, quer dizer, para o Executivo ou para o Senado. Esse tipo de pleito costuma exigir uma significação política e social bem maior dos postulantes envolvidos, o que pode ser definido como uma sintonia do pretendente com segmentos sociais de amplitude e, digamos assim, causas e ideais coletivos. Isso Luis Cesar não tem. O seu partido, em termos de Goiás, um Estado muito pouco progressista, de DNA reacionário, talvez, também não tem.
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Para piorar o que já está ruim, nem com a certeza de que será mantido até a data das urnas, Luis Cesar Bueno conta, vivendo em uma espécie de limbo. Com base na obsessão pela tal garantia de palanque para a reeleição de Lula, não é de se descartar uma intervenção soviética do diretório nacional petista para impor a Adriana Accorsi o fardo da candidatura, tirando das suas mãos a perspectiva de um novo mandato na Câmara Federal e interrompendo a sua carreira com o anunciado e certo insucesso em 4 de outubro. Bom para Edward Madureira: nesse caso, ele teria a oportunidade uma vaga de deputado federal, ao lado de Rubens Otoni, aproveitando-se do espaço cedido pelo martírio de Adriana. .
Pelo sim, pelo não, é só barulho em troca de nada. Com Luís Cesar, o PT pode ir a 5% dos votos ou uma mixaria a mais. Com Adriana Accorsi, é numericamente diferente, imagina-se uma margem entre 10 e 12%, não mais, em conformidade com a linha de performance nas urnas desde que a sigla passou a disputar eleições governamentais em Goiás. Perder, ela também vai perder. Nem com um nem com outro haverá salvação para o PT.