Planos de governo (1): adversários copiam Daniel Vilela, mas continuidade é vantagem só dele
Todos os postulantes ao Palácio das Esmeraldas já registraram seus planos de governo no Tribunal Regional Eleitoral, junto à documentação necessária para a oficialização das suas candidaturas. É uma exigência legal. O material, imediatamente, foi disponibilizado para quem quiser acessar. Daí, multiplicaram-se na imprensa convencional “análises” e resenhas sobre os objetivos de cada um. De um modo geral, reportagens superficiais, que se limitaram a resumir promessas e compromissos, sem qualquer aprofundamento ou avaliação crítica.
O que importa, em um programa de gestão, é a visão de futuro que dali emana. Existem no mercado profissionais que, mediante quantias módicas, entregam 60 a 70 páginas de “planejamento” para que candidatos atendam às exigências da Justiça Eleitoral – em cujo site essas declarações de intenções são penduradas como “propostas”. É lá que jornalistas e “especialistas” pescam as informações para fundamentar as suas “apreciações”. No final das contas, muita besteira é escrita e publicada.
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Mas o que dá para extrair dos planos de governo apresentados pelos candidatos a governador ao TRE? Daniel Vilela (MDB), hoje no 1º lugar isolado em todos os levantamentos de institutos credenciados, sai em vantagem. Explica-se: ele representa a continuidade das gestões de Ronaldo Caiado, principal mote da eleição deste ano em Goiás. Com um escopo de tamanha magnitude, em um cenário eleitoral em que na faixa de 70% do eleitorado defende a manutenção das conquistas do governo Caiado, as coisas ficam fáceis para Daniel – enquanto seus concorrentes enfrentam dificuldades terríveis na tentativa de escapar ao vagalhão da continuidade.

Como seria de se prever, é de Daniel Vilela o projeto mais detalhado dentre todos os candidatos, com 78 páginas. Marconi Perillo (PSDB), cravou 65 páginas. Wilder Morais (PL), 64 páginas. Luis Cesar Bueno (PT), 55. Os nanicos Luciana Amorim (UP) e Danilo Pinheiro (PCO) não vão entrar neste texto, já que mal aparecem nas pesquisas e não contam com chances sequer mínimas (e, de resto, o que entregaram ao TRE é simplesmente ridículo). Páginas a mais ou a menos, contudo, Daniel, Marconi, Wilder e Luis Cesar apontam para um mesmo rumo. Daniel, rasgadamente, a continuidade da Era Caiado. Marconi, Wilder e Luis Cesar, disfarçadamente, o mesmo. Isso, para eles, é péssimo. A mudança é inerente a qualquer oposição, em qualquer parte do mundo, porém em Goiás os oposicionistas – Marconi, Wilder e Luis Cesar – reconhecem nos seus planos de governo que é preciso preservar muito do legado de Caiado, senão… tudo.
É assim que a palavra SEGURANÇA é a referência de política pública mais citada por Marconi (esse recordista, com 106 menções), Wilder e Luis Cesar. Em relação a Daniel Vilela, era de se presumir a ênfase a essa área; afinal, ele é o “continuador” escolhido por Caiado. Em se tratando dos oposicionistas, a surpresa é que o assunto transformou-se em obsessão para eles, ao também se imaginar “continuadores” de Caiado. Não cola. Esse papel, naturalmente, cabe a Daniel Vilela, não aos seus adversários. Oposição que prega continuidade, em resumo, não é oposição e está, na prática, aceitando a superioridade do candidato governista do qual deveria se diferenciar.
O plano de governo de Daniel Vilela parte de uma ideia-mãe, que é a conexão direta com as gestões de Caiado, tanto que relaciona uma infinidade de dados sobre progressos em Goiás nos últimos 8 anos. Sob esse guarda-chuva é que são elencadas metas a se alcançar nos próximos anos e iniciativas específicas nesse sentido. Há uma costura entre tudo isso, enfim. Marconi Perillo até que se empenha em algo parecido, ao esforçar por linkar as suas propostas com o que gosta de chamar de “legado” (a designação que dá ao que resultou dos seus 4 mandatos como governador). Wilder Morais e Luis Cesar, ao contrário, enumeram proposições em penca sem a menor preocupação com algum tipo de encadeamento. Usam imoderadamente a forma verbal do infinitivo – apoiar, criar, intensificar, priorizar, preservar, ofertar, abrir, desenvolver e por aí vai – para fugir da união das partes em um todo de Estado para os dias que virão. Ao generalizar e não deixar de encaixar uma miríade de projetos em um conceito amplo e orientador, mostram que não têm um rumo seguro para Goiás.