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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 ago

O festival de besteiras que assola as eleições deste ano em Goiás(2)

O tempo corre: os dias se escorrem e a data das eleições aproxima-se cada vez mais. Daqui até a data da votação, são pouco mais de 30 dias. Com o assunto atraindo as atenções majoritárias da mídia e da população, multiplicam-se as visões enviesadas sobre o pleito e sobre os candidatos, sempre no objetivo de favorecer esse ou aquele. É o que este blog chama de “festival de besteiras”, qual seja a proliferação de informações irreais, análises sem fundamento e tentativas de apresentar como certo e irreversível o que simplesmente não tem qualquer relação com a verdade.

Vamos a uma atualização, leitoras e leitores, enumerando manchetes e teses correntes nas páginas, vídeos e postagens dos veículos de comunicação em papel, pela via online ou nas redes sociais. A seguir, portanto, mais pérolas do festival de besteiras que assola as presentes eleições em Goiás, maciçamente voltadas para desgastar a campanha que tem mais predominância e mais chances de vitória, inclusive em 1º turno, qual seja a da reeleição do governador Daniel Vilela.

 

 

Com o andamento da campanha, candidatos de oposição tendem a crescer e, portanto, Daniel Vilela não tem chances de ganhar no 1º turno. Falso. O inacreditável é que essa “tese” é do jornalista Caio Salgado, responsável pela coluna Giro, em O Popular. Caio a enunciou, solenemente, em um dos podcast de O Popular, que, para sorte dele, não tem audiência. Por que o livre curso de uma campanha eleitoral beneficiaria automaticamente a oposição? Isso não tem lógica. Um candidato governista também pode ser favorecido e, aliás, é o que costuma acontecer, em especial em uma eleição com a deste ano em Goiás, sob o pano de fundo da continuidade, com o governador Daniel Vilela buscando a reeleição com mais tempo de rádio e TV e uma estrutura de sustentação poderosa, em posição superior à fragilidade dos adversários. Por fim, em teoria, qualquer candidato pode crescer, seja governista, seja oposicionista, e não apenas os oposicionistas. Detalhe: todas as pesquisas, de 3 meses para cá, prognosticam Daniel vitorioso no 1º turno.

Nos adesivaços de Daniel Vilela, só participam funcionários estaduais comissionados. Impossível comprovar. Quem “denunciou” a presença de comissionados nos adesivaços de Daniel Vilela no estacionamento do Estádio Serra Dourada e em Aparecida foi o repórter de O Popular Rubens Salomão. É de se perguntar: Salomão entrevistou todos os presentes e documentou o comparecimento exclusivo de “comissionados”? Jamais. Foi um chute, embalado pela crença tradicional de que eventos de candidatos governistas são turbinados com servidores de livre nomeação. Vale lembrar, no entanto, que Daniel Vilela é de fato beneficiário da tradicional máquina de mobilização do MDB, maior partido do Estado em número de filiados. E, de fato, tem o apoio da chamada máquina, óbvio, mas isso é algo que ninguém consegue medir com exatidão.

A situação financeira do Estado é calamitosa. Absolutamente falso. O Popular dá manchetes seguidas, apontando “déficits”, que, na verdade, não existem. A administração corrente das finanças estaduais eventualmente registra gastos maiores que a receita, porém essa diferença é coberta pela milionária poupança acumulada ao longo da gestão do ex-governador Ronaldo Caiado. Quer dizer: o dinheiro foi guardado exatamente para resolver demandas não cobertas para arrecadação. O tal “déficit” é contábil, não de caixa. Há recursos e não são poucos, inclusive depositados no FUNDEINFRA, destinado a obras rodoviárias e oriundos da taxa do agro, extinta pelo governador Daniel Vilela.

Feridas da convenção que oficializou Daniel Vilela estão abertas e ainda vão prejudicar o candidato. Falso. Essa afirmação decorre da escolha do ex-senador Luis do Carmo como vice, com a preterição do presidente da FAEG Zé Mário Schreiner. Sim, esse tipo de decisão costuma gerar consequências deletérias. Mas, no caso, não houve nada disso, por 2 motivos: 1) não há para onde possam correr os supostos insatisfeitos da base governista, diante da fragilidade e falta de expectativa de poder dos concorrentes de Daniel Vilela e 2) Zé Mário é um político responsável e sério, jamais um oportunista que reagiria com uma atitude inconsequente a uma decisão que o desagradasse. Resultado: ele foi assediado por Marconi Perillo e Wilder Morais, recusou qualquer desdobramento e acaba de ser anunciado coordenador geral da campanha de Daniel Vilela.

O favoritismo da ex-primeira-dama Gracinha Caiado para o Senado perderá tração, a exemplo de Iris Rezende em 2002. Não vai acontecer. Iris, em 2002, estava desgastado pelo escândalo Caixego e pelo fim da sua aura como líder maior do Estado até a derrota para Marconi Perillo em 1998. Gracinha Caiado vive outro contexto, como coautora ficha-limpa das políticas sociais durante as gestões do ex-governador Ronaldo Caiado. Não à toa, nunca figurou em qualquer pesquisa a não ser como titular inconteste da 1ª vaga senatorial. E a sua campanha ganha mais tração dia a dia, embalada pelo apoio de quase 100% das lideranças nos municípios e dos candidatos a deputado federal e estadual.

 

 

Marconi lidera para o governo do Estado com 36,8%. Não só falso, como também vergonhoso. Trata-se de uma pesquisa fraudulenta, produzida por um “instituto” com credibilidade zero (Exata), de propriedade de um certo Catatau (olhem só o nome, leitoras e leitores), useiro e vezeiro em imposturas em época de eleições em Goiás. Proibida pelo Tribunal Regional Eleitoral, a pesquisa foi amplamente divulgada em perfis ligados a Marconi Perillo nas redes sociais e no site oficial do PSDB estadual. Marconi, sem noção do ridículo, chegou até a agradecer às eleitoras e aos eleitores pela “confiança” no seu nome. Uma grande mentira, apenas.

 

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A campanha governista em Goiás é uma bolha que perderá força gradualmente e, no final, cairá. Improvável. Trata-se de “conclusão” estapafúrdia de um dos podcasts de O Popular sobre as eleições deste ano. O que a história mostra é exatamente o contrário, ou seja, desde a redemocratização, em 1982, só houve 3 eleições em que a base governista foi superada pela oposição: a de 1982, vencida pelo então oposicionista Iris Rezende; a de 1998, quando Marconi Perillo derrotou Iris Rezende; e a de 2018, quando Ronaldo Caiado derrotou o grupo de Marconi. Nas demais, a “campanha governista” sempre se saiu bem, inclusive na virada de Alcides Rodrigues sobre Maguito Vilela em 2006. O sucesso do postulante apoiado pela aliança comandada pelo Palácio das Esmeraldas é a regra em Goiás, com a decorrente maior capacidade de mobilização e a maior estrutura concorrendo para um desfecho positivo nas urnas.