Primeiros programas no rádio e TV prenunciam baixa capacidade de influência sobre o voto
O início do horário gratuito de propaganda no rádio e televisão trouxe maus presságios para a oposição em Goiás. Em meio a uma enxurrada de candidatos a deputado estadual e a senador, os postulantes ao governo do Estado apareceram em programas curtos, sem atrativos (ou pouco criativos) e de certa forma tediosos. Chamar a atenção do público, em meio a uma sucessão de rostos em sua maioria desconhecidos, todas repetindo números e frases feitas, tornou-se um desafio sem possibilidades de ser superado. Até a disputa senatorial, com apenas 11 nomes, acabou engolida por essa dinâmica de caos.

No final de tudo, despontaram os 4 pretendentes ao Palácio das Esmeraldas. Quem ainda heroicamente resistia no sofá viu o representante da base governista Daniel Vilela (MDB) cumprir com competência o dever de casa. Mostrou simpatia e multidões entusiasmadas. Investiu pesado, como se imaginava, no mote da continuidade, com imagens e manifestações fortes do ex-governador Ronaldo Caiado. Deu um toque biográfico rápido, ao lembrar o pai Maguito Vilela, sem exagerar. Tudo indica um acerto: na análise do professor da UFG e cientista político, Guilherme Carvalho, Daniel executou “o básico bem feito”, explicando: “O candidato tenta fazer essa transferência de capital político e traz a ideia de continuidade, que tem relação justamente com a popularidade do governo. Então, não fez uma propaganda de líder nas pesquisas, porém, investiu no seu maior trunfo”, que é a absorção do capital político do padrinho Caiado. Não precisou de mais.

O 2º colocado nas pesquisas, Marconi Perillo (PSDB), vergou sobre os seus escassos 30 segundos de tempo no horário gratuito. Não dá e não deu para nada. Marconi falou e ninguém ouviu, dada a pressa e a velocidade, inclusive com a aceleração eletrônica proposital da voz quando citou obras do passado – olhar para trás é um vício do qual ele não se liberta. Nada diferente do esperado, mesmo porque, como já repetido, a limitação do espaço do ex-governador no rádio e na TV é simplesmente incontornável, não permitindo qualquer saldo positivo em termos de comunicação.

Luis Cesar Bueno (PT) conta com mais de 2 minutos, algo razoável, mas a armadilha a que está preso é outra: a obrigação de se vincular a Lula, cuja reeleição é mais importante e está acima de qualquer candidatura, como reza a cartilha soviética do PT. Tudo ineficaz. Lula até fez uma falinha, repetindo mecanicamente slogans da sua campanha, desinteressado, enfim. Pelo sim, pelo não, Luis Cesar, como se sabe, é um candidato sem chances reais, ainda mais em um Estado onde o PT nunca passou de 15% em eleições governamentais (e mesmo assim, só uma única vez, em 2002, com Marina Sant’anna), sob o influxo de um permanente antipetismo e um irrecorrível antilulismo. O programa de Luis Cesar, contudo, foi visualmente limpo e tecnicamente correto. Agradável, até. No entanto, neutro, anódino, sem nenhum efeito, se é que foi percebido.

Por último, Wilder Morais. Definitivamente, ele parece acreditar ser possível disputar uma eleição tão decisiva quanto a de governador alicerçando-se apenas em uma história de vida, que, de resto, ninguém sabe se é autêntica. Pior: as testemunhas da trajetória de “superação” de Wilder são as mais suspeitas possíveis: a mãe(no print acima, o que uma mãe não se sacrifica por um filho…), irmã, irmão, a mulher e um amigo do peito. Gente naturalmente propensa a encobrir defeitos e salientar virtudes dos seus entes queridos. Isso não funciona. Sobram pesquisas documentando a falta de credibilidade desses “depoimentos” cúmplices. É uma fórmula antiga de marketing pré-pronta. Ignora a importância do cargo visado e contorna a exigência de predicados políticos, técnicos e mesmo de capacidade pessoal. Força a barra em excesso, ao criar a imagem de um predestinado, alguém tocado pelo dedo de Deus. E não condiz com o já conhecido e amplamente exposto estilo boa vida de Wilder, suas roupas caras, o cavanhaque de mosqueteiro do rei, a voz corrigida eletronicamente, a ostentação nas redes sociais, os aviões e helicópteros – e nem um precedente de solidariedade ao próximo, apesar da fortuna incalculável. Por ora, Wilder ainda é a personificação do ricaço diletante, que entrou na política para aproveitar o tempo livre e se divertir.
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O balanço da estreia de Daniel Vilela, Marconi Perillo, Luis Cesar e Wilder Morais no horário gratuito leva a uma conclusão simples: por conta do que foi apresentado, as pesquisas não vão mudar. Só Marconi, vítima dos seus 30 segundos, é que corre um risco, o de cair, esquecido pelas eleitoras e eleitores ou, quando lembrado, ao absorver os reflexos deletérios maior rejeição dentre todos os candidatos. O ex-governador, ao meter-se na eleição deste ano, está provado, mergulhou em uma aventura cujo desfecho inevitável é mais uma derrota. Luis Cesar permanecerá onde sempre esteve, quer dizer, no plano da insignificância. E Wilder emergirá com mais um diploma (ele gosta de apregoar o de Engenharia), agora um de incapaz para se constituir em liderança em busca da realização de ideais coletivos. Também não seria fácil: nenhum milionário conseguiu jamais chegar ao governo de Goiás.