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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 out

Para renascer das cinzas em Goiás depois que foi carbonizado pelas urnas (tarefa quase impossível), PSDB precisa ressuscitar seu grande líder Marconi – e para isso parece que só um milagre

O PSDB em Goiás – e de resto o do país também – foi carbonizado pelas urnas, reduzido a um deputado federal e seis estaduais, grupo restrito que terá a sua fidelidade colocada à prova na medida em que o governador eleito Ronaldo Caiado tomar posse e passar naturalmente exercer o poder de sedução política inerente a quem ocupa o Palácio das Esmeraldas com o reforço de uma aprovação esmagadora das urnas e, mais ainda, no 1º turno.

 

Além desse minguado corpo parlamentar, o partido continuará com um quantitativo razoável de prefeitos, em torno de 90, mas esse número tende a decrescer rapidamente – acontecimento normal em todo processo de ruptura entre governo que sai e governo que entra. As bases interioranas tucanas, nessa linha, tenderão a se esboroar com rapidez, mesmo porque passarão a partir de agora se posicionar de olho na sobrevivência diante das próximas eleições municipais.

 

Para não desaparecer ou não se transformar em legenda nanica ou quase, o PSDB goiano, nesses tempos duros que virão, necessitaria de uma grande liderança, um nome acima de todos, capaz de aglutinar o que resta do partido e evitar a sua dispersão, conduzindo-o pela planície escaldante da oposição. É claro que somente Marconi Perillo veste esse figurino. Mas Marconi está ferido de morte: ficou em 5º lugar na disputa pelas duas vagas ao senado (em Goiânia, caiu para o 6º lugar, atrás de Agenor Mariano) e foi tragado pela Operação Lava Jato, através de uma derivação, a Operação Cash Delivery, que o levou inclusive a pernoitar na cadeia.

 

Sem Marconi, enfraquecido politicamente e fragilizado pessoalmente, quem lideraria a reconstrução do PSDB em Goiás, se isso ainda for possível?